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01/05/2010 - 09h43

Trabalhistas perdem apoio de jornais e ficam mais longe do poder no R.Unido

Judith Mora.

Londres, 1 mai (EFE).- O Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Gordon Brown, ficou hoje um pouco mais perto da derrota nas eleições gerais de 6 de maio ao perder o apoio de dois influentes jornais do Reino Unido.

O "Guardian", tradicionalmente trabalhista, e o "Times", que apoiava a legenda desde 2001, resolveram mudar e mostraram, em seus respectivos editoriais, apoio ao Partido Liberal-Democrata de Nick Clegg e ao Conservador de David Cameron.

A decisão do "Times", referência do império de Rupert Murdoch, é menos surpreendente por sua tradição direitista e por só ter começado a apoiar os trabalhistas a partir do segundo mandato de Tony Blair - supostamente após um acordo. A iniciativa do "Guardian", por outro lado, assustou os próprios leitores.

A razão de o jornal, de centro-esquerda, ter 'virado casaca' é, como explica, o fato de o partido de Clegg oferecer ao povo uma oportunidade enorme de reformar o sistema eleitoral e de superar "as velhas políticas esgotadas".

O sistema eleitoral britânico não permite que a preferência dos eleitores se reflita de maneira fiel na formação do Parlamento, beneficiando os grandes partidos (Trabalhista e Conservador).

"A representação proporcional, ainda que não seja uma panaceia, daria finalmente ao país algo do que careceu durante muito tempo: um Parlamento que seja um espelho real desta nação plural, não uma distorção bipartidária e cada vez menos representativa", afirma o texto.

No entanto, o apoio do "Guardian" a Clegg, que aparece no diário hoje em entrevista, não é incondicional. Toma a decisão sabendo, como diz, que "nem todas as consequências são previsíveis e que algumas deveriam ser evitadas" - em alusão a um Parlamento sem maioria absoluta - e o faz "com grandes reservas".

Por sua vez, o diário "The Times", que apoiou os conservadores pela última vez há 18 anos (em 1997 ficou com os eurocéticos), vê os liberal-democratas como imaturos e considera os tories a única alternativa viável. Para o jornal, seu líder tem "força e caráter para dirigir o país a um futuro mais são e forte".

Como argumenta, é preciso escolher entre a opção trabalhista de um país inseguro com um Estado cada vez maior e outra que vele pelos necessitados, mas "liberte" o povo do aparelho estatal para que possa florescer em seus negócios e famílias.

Nenhum diário dá hoje um respaldo aberto e sem rodeios ao partido de Brown. O tablóide "Daily Mirror", historicamente trabalhista, de forma velada deu seu suporte ao premiê ao alertar contra uma vitória de Cameron nas urnas.

Os jornais que, como o populista "Daily Mail", advertem para os perigos de um Parlamento sem maioria absoluta, mas ao mesmo tempo atacam o Governo, 'recomendam' o voto conservador.

O partido de Cameron recebe o apoio mais forte e conta entre seus partidários com seu antigo aliado "The Daily Telegraph" - natural da classe dominante, apelidado de "torygraph" - e, desde alguns meses atrás, do sensacionalista "The Sun", de Murdoch.

Os candidatos dos três partidos se esforçam neste fim de semana, último antes das eleições, para ganhar os últimos votos e reiterar suas mensagens, numa campanha que esteve marcada pelos debates na TV, os primeiros da história britânica.

Na entrevista ao "Guardian", Clegg, que viu sua popularidade disparar cerca de dez pontos após o primeiro dos três debates, sustenta que as eleições são agora "uma corrida entre dois cavalos", com o Partido Trabalhista fora.

Já Brown, em declarações ao "Daily Telegraph", insiste em que lutará "até o último segundo" de campanha.

Os debates eleitorais confirmaram Cameron na frente em intenções de voto (35%) e puseram em situação de igualdade os liberal-democratas e trabalhistas (28%).

Com a possibilidade de ficar até em terceiro, o Trabalhismo de Brown pode ter nas eleições seu pior resultado desde que, em 1983, Margaret Thatcher arrasou o então líder trabalhista, Michael Foot.

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