UOL Notícias Notícias
 

03/05/2010 - 06h05

Bairro Pablo Escobar adora traficante colombiano como santo

Federico Ríos.

Medellín (Colômbia), 3 mai (EFE).- Estatuetas do traficante colombiano Pablo Escobar, morto em 1993, são adoradas em casas do bairro - que leva seu nome - construído por ele em vida para famílias pobres da cidade de Medellín.

O artista Esteban Zapata foi o criador das estatuetas, de gesso maciço e de 22 centímetros, que apresentam Escobar como Robin Hood, congressista, guerrilheiro e com roupas informais.

A ideia de Zapata partiu da chamada Corte Malandra da Venezuela, um grupo de artistas que se dedica a criar e a adorar imagens de criminosos mortos.

O artista colombiano criou a partir dessa ideia seu projeto para o festival regional de artistas do Museu de Arte de Antioquia, departamento (estado) que tem Medellín como capital.

Para Zapata, a iniciativa ativa a fé através de imagens e dos usos sociais das obras de arte.

Após serem expostas no Museu de Arte de Antioquia, que abriga emblemáticas obras de Fernando Botero, algumas estatuetas foram dadas às famílias do bairro Pablo Escobar, em Medellín.

Agora, as famílias colocaram as estatuetas de Escobar em locais representativos da casa, em forma de altar, perante as quais acendem velas, fazem desejos e pedem milagres.

É o caso de Luz Mery Arias, que recebeu uma das figuras. "Eu escolhi o Robin Hood porque foi isso que Pablo foi em vida para nós. Para mim ele é um Robin Hood", disse à Agência Efe enquanto acendia uma vela.

Além das estatuetas, nos lares do bairro Pablo Escobar é comum encontrar artigos relacionados com o traficante, morto em dezembro de 1993 aos 44 anos.

O bairro construído por Escobar em 1984 numa das encostas das montanhas que cercam Medellín é habitado atualmente por cerca de três mil famílias. Em boa parte, essas pessoas não veem o narcotraficante como um criminoso, mas como um benfeitor que lhes deu a possibilidade de ter uma casa própria.

"Foi a melhor coisa da vida, porque o que o Governo não, ele fez. Fez muitas obras de caridade pelos pobres, ele e sua família verdadeiramente foram muito bons conosco", assinalou à Efe Rosalbina Vargas, uma das beneficiadas.

Hoje, 17 anos após sua morte, o bairro sente profundo respeito e admiração pelo "Patrão", como era conhecido. Os mais velhos chegam a tratar Escobar como "O Pai".

Enquanto muitos episódios da vida de Escobar seguem sem explicação, seu túmulo é local de peregrinação. O lugar recebe visitas de várias pessoas que, como faziam quando o traficante era vivo, pedem favores.

Alguns chegam até a questionar se Escobar realmente está morto, prolongando assim o mito em torno do mais temido traficante de drogas da história da Colômbia.

Escobar liderou na década de 1980 e início dos anos 1990 o Cartel de Medellín. Isso o tornou um dos homens mais ricos do mundo e o levou a desafiar o Estado colombiano com grandes atentados terroristas.

Sua lenda levou empresários de Medellín a criar uma viagem turística pelo departamento de Antioquia, na qual, por quase R$ 300, é possível conhecer um pouco mais da vida de Escobar.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h29

    0,74
    3,281
    Outras moedas
  • Bovespa

    16h32

    -1,74
    61.550,45
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host