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04/05/2010 - 17h09

Gordon Brown, a "Fênix" que pode levar o trabalhismo ao desastre

Fernando Puchol.

Londres, 4 mai (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, ganhou o apelido de "ave Fênix" depois de enfrentar nos últimos anos a pior crise econômica em seis décadas e sobreviver a três "golpes de Estado" dentro do trabalhismo, mas sua incapacidade para se conectar com o povo pode levar seu partido ao desastre.

Com todas as pesquisas contra, Brown buscará nas urnas uma improvável tábua de salvação para sua curta carreira como chefe de Governo e líder do Partido Trabalhista, cargos que "herdou" em 2007 de Tony Blair, e que tentará legitimar no dia 6 de maio.

Nos últimos meses, este escocês de 59 anos, filho de um pastor da Igreja da Escócia, casado e com dois filhos, foi comparado com um boxeador quase nocauteado que resiste em atirar a toalha, e foi caricaturizado como um homem velho e cansado, que não aguenta o peso de todos os punhais que leva cravados nas costas.

Todos os adjetivos valem para descrever os quase três anos que Brown está no número 10 de Downing Street, depois que em junho de 2007 Tony Blair renunciou para ceder a ele o bastão no comando do país, e abrir passagem para um dos mandatos mais tormentosos na memória política recente de Londres.

Após 10 anos como ministro da Economia, como tecnocrata à sombra do carismático Blair - com quem tinha pactuado que fariam turnos no poder quando os trabalhistas voltassem ao comando do país, após quase duas décadas de Governos conservadores -, Brown alcançou seu objetivo de ser primeiro-ministro no dia 27 de junho de 2007.

Seu início em Downing Street foi uma lua-de-mel, na qual desfrutou de uma elevada popularidade, por isso que possivelmente Brown se arrependa agora de não ter convocado eleições em novembro daquele ano, como considerou, porque teria alcançado uma fácil vitória.

Eram tempos nos quais ninguém era capaz de prever a recessão econômica que aconteceria alguns meses depois e que também pegou de surpresa o analista Brown, que no entanto conseguiu transformar a crise em uma oportunidade para reivindicar a posição de eficaz gerente.

Nos escombros da City (centro financeiro de Londres) e da economia nacional, que Brown salvou aplicando um forte intervencionismo estatal com a injeção no sistema de dezenas de bilhões de libras dos contribuintes, Brown encontrou motivos para reivindicar seu trabalho.

Entre o final de 2008 e meados de 2009 cultivou a imagem de estadista que liderou a comunidade internacional para evitar uma crise como a de 1929 e aproveitou a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes) que desenhou a nova arquitetura financeira internacional para "vender-se" em casa.

Ele quase o conseguiu, até o ponto de - após ser considerado um cadáver político, com pesquisas de intenções de voto que o deixam quase 20 pontos atrás do líder conservador, David Cameron - ressurgir para voltar a ser uma alternativa real, não só frente aos eleitores, mas dentro de seu próprio partido.

Sua liderança trabalhista foi continuamente questionada e nos momentos de maior dificuldade, como nas eleições europeias de junho de 2009, nas quais o partido colheu os piores resultados em décadas, teve que lutar também contra seus correligionários.

Cinco altos cargos do Governo renunciaram em plena crise política, depois de tentar forçar uma sucessão à frente do Partido Trabalhista que permitisse a esta legenda ter opções de ganhar as eleições desta semana.

Nem sequer o ministro de Exteriores, David Miliband, que lançou sua carreira política ao amparo do Governo de Brown, teve o gesto de defender a liderança do primeiro-ministro, em uma indicação de que são muitos os "barões" do trabalhismo que estão esperando sua oportunidade, após o previsível desastre eleitoral.

Se forem confirmadas as enquetes que situam o trabalhismo como terceira legenda mais votada com menos de 30% dos votos, Brown será o principal responsável pelos piores resultados do partido desde que Margaret Thatcher deu uma "surra" em Michael Foot nas eleições gerais de 1983.

O que ninguém pode negar a Brown é o que o define como "o espírito de um corredor fundista", a convicção de que ainda pode convencer os britânicos que ele é a pessoa indicada para dar ao Reino Unido um novo impulso político e econômico.

É o que tentou nos três debates televisados que definiram esta campanha, na qual pela primeira vez na história eleitoral britânica um primeiro-ministro teve acesso a este formato.

Brown demonstrou que está realmente convencido de suas possibilidades, mas os três debates não fizeram mais do que aprofundar a sensação de que sua imagem e sua mensagem estão esgotados.

"Ser primeiro-ministro não é um concurso de popularidade", tentou defender-se Brown, por sua falta de presença perante as câmeras, frente a Cameron e ao líder liberal-democrata, Nick Clegg, dois dirigentes jovens e com carisma, que podem enterrar a carreira de Brown e o desejo do trabalhismo por uma boa temporada.

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