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04/05/2010 - 19h04

Juiz argentino ordena detenção de ministro da Economia durante ditadura

Buenos Aires, 4 mai (EFE).- Um juiz argentino ordenou hoje a detenção de José Alfredo Martínez de Hoz, ministro da Economia durante a ditadura militar no país, como parte de uma investigação sobre o sequestro de dois empresários em 1976, informaram fontes judiciais.

A ordem foi ditada pelo juiz federal Norberto Oyarbide, uma semana depois que a Suprema Corte declarou inconstitucionais os perdões concedidos em 1990 a Martínez de Hoz e ao ditador Jorge Videla, o primeiro dos quatro presidentes que governaram a Argentina durante a ditadura.

Horas depois de ditar a resolução e com a autorização do juiz, o ex-ministro, de 84 anos, foi levado de sua casa a uma clínica privada em Buenos Aires, por problemas de saúde.

O secretário de Direitos Humanos argentino, Eduardo Luis Duhalde, que há poucos dias pediu a detenção de Martínez de Hoz, avaliou a rapidez e a decisão de Oyarbide.

"É um ato transcendente da Justiça ter ditado a prisão preventiva e ordenado a detenção de quem foi responsável por atividades ilícitas, mas ao mesmo tempo do plano econômico, que assolou Argentina durante 25 anos", comentou, em entrevista coletiva.

A resolução da Corte confirmou decisões judiciais anteriores e faz parte da investigação do sequestro dos empresários Federico e Miguel Gutheim.

Os dois empresários foram mantidos presos durante cinco meses entre 1976 e 1977, como medida de pressão para que fosse aceito um contrato de exportação lucrativo para o Governo militar.

Tanto o Governo de Cristina Fernández de Kirchner quanto organismos de direitos humanos consideram que a decisão da Suprema Corte abre a possibilidade de que civis que atuaram como cúmplices da ditadura sejam julgados.

Em um comunicado publicado na semana passada pela imprensa de Buenos Aires, Martínez de Hoz disse ser vítima de uma "perseguição interminável" por parte do Governo e da Justiça.

O ex-funcionário disse que "o único objetivo" do parecer da Justiça é "tentar forçar" sua prisão "apenas pelo fato de existir".

"Desde que o ex-presidente (Néstor) Kirchner pediu publicamente minha prisão, no dia 24 de março de 2006, diferentes poderes do Estado utilizaram todos os meios a seu alcance para alcançar este objetivo", apontou o comunicado.

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