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05/05/2010 - 15h58

BP acelera ações para conter vazamento de óleo no Golfo do México

Teresa Bouza.

Washington, 5 mai (EFE).- A empresa British Petroleum (BP) conseguiu fechar hoje um dos três pontos através dos quais vazava óleo cru no Golfo do México, o que deve facilitar a instalação de uma estrutura de aço sobre a principal fonte do vazamento, em meio à polêmica sobre uso de solventes químicos.

Tanto a BP quanto a Guarda Costeira americana insistiram hoje que o tapamento de um dos pontos de escape não conseguirá conter o fluxo total de óleo em vazamento, estimado em 800 mil litros diários, mais de 5 mil de barris de petróleo.

Concessionária da plataforma de petróleo que explodiu em 20 de abril e causou a morte de 11 trabalhadores, a British Petroleum informou que a medida facilitaria a instalação da gigantesca estrutura de aço sobre a principal fonte do vazamento.

Espera-se que essa estrutura, transportada desde ontem em um navio, chegue hoje ao local onde estava a plataforma, a cerca de 80 quilômetros de distância da costa dos Estados Unidos.

Uma vez instalada em solo marinho, em cerca de "três dias", a BP iniciará um processo de testes para determinar a eficácia da estrutura, na qual se acumularia o petróleo, que seria bombeado a um navio na superfície através de encanamentos apropriados.

"Esse sistema prevê ajudar a capturar o petróleo no solo marinho e recoletá-lo de forma segura para seu processamento", afirmou hoje a empresa em comunicado.

O êxito da operação está longe de ser garantido por se tratar de um experimento pioneiro a 1,5 mil metros de profundidade onde a cúpula de proteção enfrentará uma grande pressão.

"Não sabemos com certeza se o equipamento funcionará", reconheceu ontem Bill Salvin, porta-voz da BP. Segundo ele, de qualquer forma, a instalação prevista proporciona mais chanches de conter o vazamento de óleo que ameaça provocar um desastre ecológico.

Em seu esforço para impedir que o óleo cru suba à superfície e se alastre pela força dos ventos em direção às frágeis costas americanas, a BP estava jogando ao mar diariamente milhares de litros de solventes químicos para dissolver o óleo à medida que ele vazava do poço submarino.

Tanto a empresa como a Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) defendem o uso dos químicos, os quais desfazem o petróleo em pequenas partículas que, em seguida, atacam as bactérias marinhas. BP e NOAA insistem em que a toxicidade dos dissolventes é "bastante baixa".

No entanto, especialistas em temas marítimos e grupos ambientalistas questionam a benevolência dessa injeção em massa de químicos.

"O que não entendemos é o impacto dessa sopa tóxica nos organismos marítimos que entram em contato com ela", disse hoje ao diário "The Wall Street Journal" Regan Nelson, da organização ambiental Conselho para a Defesa dos Recursos Naturais.

Tais preocupações são compartilhadas com Terry Hazen, cientista da Universidade da Califórnia em Berkeley.

"A concentração de detergentes e outros químicos para limpar locais poluídos pelo petróleo vazado pode provocar outros pesadelos ambientais", afirmou o especialista em declarações divulgadas pelo site da emissora "Fox News".

"Alguns dos solventes que costumam ser usados são mais tóxicos que o próprio petróleo", insistiu Hazen. Para ele, nesse caso, é melhor deixar que os micróbios façam seu trabalho.

O cientista lembrou o vazamento do petroleiro "Amoco Cadiz", que provocou uma catástrofe ecológica frente às costas da Bretanha em março de 1978.

O tamanho da mancha negra fez com que só se tratasse com químicos aquelas áreas nas quais o impacto econômico era maior, enquanto o vazamento nas zonas mais remotas não foi tratado.

Hazen destacou que "as áreas litorâneas não tratadas se recuperaram plenamente no prazo de cinco anos", enquanto as que foram submetidas a tratamento químico continuavam sem se recuperar 30 anos depois.

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