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05/05/2010 - 17h22

Governo e oposição não superam diferenças sobre crise na Espanha

María Luisa González.

Madri, 5 mai (EFE).- O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e o líder da oposição, Mariano Rajoy, decidiram hoje agilizar as fusões entre as cadernetas de poupança em um encontro no qual não conseguiram superar suas diferenças sobre como sair da crise que afeta o país.

Após mais de duas horas de reunião a sós, Rajoy e Zapatero compareceram separadamente para comunicar os dois acordos pontuais alcançados no primeiro encontro de ambos em um ano e meio.

Um dos resultados desse encontro é o pacto alcançado para concluir a reforma da lei que regula as cadernetas de poupança antes de 30 de junho e agilizar as fusões entre estas entidades ligadas aos Governos regionais e muito afetadas pelos problemas no setor imobiliário.

Além disso, saiu da reunião um claro apoio do líder opositor ao envolvimento espanhol no plano de resgate financeiro da Grécia, ao qual a Espanha fornecerá 9,8 bilhões de euros (US$ 12,5 bilhões), respaldo que recebeu o agradecimento público de Zapatero.

Entretanto, não houve uma mensagem conjunta apesar da gravidade da crise e da grande volatilidade dos mercados, que pressionam a Espanha diante do temor de um contágio da crise grega.

A reunião já estava marcada há dias, mas acabou acontecendo no dia depois da segunda pior queda da Bolsa de Valores de Madri neste ano (-5,41%), provocada pelas pressões especulativas sobre a Espanha.

Hoje, a bolsa de Madri voltou a retroceder (-2,27%) depois da deterioração da dívida espanhola a longo prazo e de a agência de classificação de riscos Moody's ter revisado a de Portugal.

Para alguns analistas financeiros, o problema que afeta os mercados é de caráter político, já que os líderes dos países da zona do euro demoraram demais a reagir na adoção de seu plano de resgate da Grécia, o que permitiu o avanço da desconfiança e do temor entre os mercados.

Rajoy declarou que transmitiu a Zapatero o apoio de seu partido ao empréstimo de ajuda à Grécia porque "nossa aposta econômica é o euro" e "a melhor maneira de defender o euro e a Espanha é apoiar à Grécia".

Ao mesmo tempo, o opositor reprovou o chefe do Executivo espanhol por sua falta de decisão para fazer as reformas que a oposição considera imprescindíveis para que a Espanha possa superar a crise.

"Na Espanha, não há crédito para as empresas e para as famílias, e sem crédito não há investimento. E, sem investimento, não há emprego", afirmou Rajoy, que defendeu o saneamento, a capitalização e a reestruturação do sistema financeiro para que o crédito volte.

A principal repercussão da crise econômica espanhola foi a destruição de postos de trabalho, o que deixou 4,6 milhões de desempregados, mais de 20% da população ativa.

Para o líder opositor, a "alternativa" é reduzir o déficit, reestruturar o sistema financeiro e fazer uma reforma trabalhista.

"A etapa de hesitações e panos quentes acabou. Não podemos deixar a reforma trabalhista para depois ou levar a redução do déficit em 2013", acrescentou.

Sobre este último tema, no qual Zapatero reconheceu que há divergências, o chefe do Executivo assegurou que a Espanha cumprirá com o objetivo fixado de reduzir o déficit para 3% do Produto Interno Bruto (PIB), mas defendeu fazê-lo "de maneira razoável" para evitar prejudicar o crescimento.

"O objetivo é chegar a 2013 com 3% de déficit. Temos o plano para isso e, claro, se a economia voltar a crescer, sem dúvida seu pleno cumprimento será mais fácil", afirmou.

Segundo Zapatero, a redução do déficit não pode ser feita de "forma drástica" porque "compromete o crescimento em uma fase na qual o investimento privado está muito retraído".

De acordo com os últimos dados, a Espanha tem um déficit público de 11,2% do PIB.

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