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05/05/2010 - 16h28

Mortes durante greve geral agravam crise grega

(Acrescenta novos dados) Ramón Santaularia.

Atenas, 5 mai (EFE).- A crise grega se agravou hoje com a morte de três pessoas durante as manifestações realizadas em Atenas durante a greve geral convocada no país contra as duras medidas de austeridade aprovadas pelo Governo.

As três mortes aconteceram por causa do incêndio de uma agência bancária na capital ateniense, causado pelo lançamento de um coquetel molotov por parte dos manifestantes. Uma quarta pessoa ficou gravemente ferida ao se jogar da sacada do prédio para fugir das chamas, segundo o porta-voz da Polícia Vangelis Falarás.

Os mortos eram duas mulheres - uma delas grávida de quatro meses - e um homem, funcionários do banco Marfin Eganatia Bank. Eles ficaram asfixiados ao se refugiar em um andar superior do edifício.

A notícia correu como pólvora entre os participantes dos protestos, o que exacerbou ainda mais os ânimos, como pôde comprovar a Agência Efe nos arredores da Praça de Sintagma, onde começaram os choques entre manifestantes e policiais que faziam a segurança do edifício do Parlamento.

Com este trágico episódio, termina um sangrento dia de protestos em Atenas e outras cidades gregas contra o plano de cortes financeiros do Executivo. Os confrontos deixaram, por fim, 44 feridos.

A capital grega foi palco dos choques mais violentos, com a mobilização de tropas de choque para dispersar manifestantes mais radicais. A paisagem da cidade ficou marcada pela fumaça dos incêndios registrados misturada com a de bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia.

O prefeito de Atenas, Nikitas Kaklamanis, comentou à televisão que a cidade "tem quatro vítimas mortais, caso seja verdade que uma das funcionárias estava grávida", e exigiu ao Governo que detenha os responsáveis pelos excessos.

Os confrontos entre os participantes da greve geral, convocada por sindicatos gregos, e as tropas de choque também terminaram com inúmeros danos materiais, antes de tudo em Atenas, mas também em Salônica, Patras e Ioanina.

Ao anoitecer, as ruas e avenidas do centro da capital por onde transcorreram os protestos tinham mais o aspecto de um campo de batalha, embora os bairros turísticos e históricos em torno da Acrópole quase não tenham sido afetados.

Fontes policiais atenienses, que tinham solicitado reforços de outras cidades, não descartaram que os distúrbios continuassem no início da noite.

Os protestos na Grécia são fruto de um duro plano de austeridade fiscal anunciado pelo Governo do primeiro-ministro Giorgos Papandreou, que compreende cortes salariais, redução das pensões e aumento dos impostos.

O premiê condenou hoje no plenário parlamentar a violência suscitada não só por grupos radicais, mas também por muitos outros cidadãos, que consideram um erro o plano econômico exigido pela zona do euro e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para conceder empréstimos de ajuda financeira à Grécia.

A violência atingiu agências bancárias, um escritório de inspeção da Fazenda e vitrines de lojas do centro, bem como automóveis e latões de lixo, que foram incendiados.

"É necessário que todas as forças políticas enviem uma mensagem de responsabilidade política. Ninguém tem o direito de brincar com o futuro da pátria e com as vidas dos cidadãos. Ninguém está livre das responsabilidades", disse Papandreou.

Embora a greve geral também tenha afetado a imprensa grega, a emissora "Ski" informou que, no conflituoso bairro de Exarhia, grupos não identificados cometeram atos de pilhagem em várias lojas.

A greve geral convocada na Grécia para hoje pelos principais sindicatos é a quarta neste ano e, segundo os sindicatos, a maior em 35 anos. Ela foi amplamente divulgada por diversos meios de comunicação que fizeram eco imediato à violência dos protestos.

Por causa da greve o tráfego aéreo, marítimo e ferroviário no país mediterrâneo ficou paralisado, enquanto o trem metropolitano de Atenas funcionou só nas horas convenientes para ir às manifestações.

Entre 25 mil e 100 mil pessoas participaram dos protestos, segundo fontes policiais e sindicais, respectivamente.

O dia de greve geral na Grécia fechou com uma nova queda da Bolsa de Atenas, que fechou com em baixa de 3,91%.

Segundo o prefeito ateniense, militante do conservador opositor partido Nova Democracia, os manifestantes "saíram para manifestar com toda razão" contra as medidas de austeridade.

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