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05/05/2010 - 16h26

Na reta final, trabalhistas crescem em pesquisas e acirram disputa no Reino Unido

Fernando Puchol
Em Londres

A campanha eleitoral para as eleições desta quinta-feira no Reino Unido entrou hoje em seus momentos finais com o surpreendente crescimento do Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Gordon Brown, nas pesquisas de intenções de voto.

Candidatos cruzam a Grã-Bretanha na reta final das eleições

As sondagens divulgadas nas últimas horas coincidem ao dar 35% dos votos ao Partido Conservador, de David Cameron, e entre 29% e 30% aos trabalhistas. Já o Partido Liberal-Democrata, liderado Nick Clegg, aparece em terceiro com entre 24% e 26% de apoio.

O trabalhismo recupera assim a segunda posição perdida após o primeiro debate na televisão entre os três candidatos a primeiro-ministro, realizado em 15 de abril. Nele, os liberal-democratas ganharam grande apoio e viraram a surpresa da campanha.

O crescimento nas pesquisas, que concedem aos trabalhistas a primeira dose de otimismo de uma campanha marcada por más notícias, pode ser decisivo para o resultado final nas urnas, que salvo surpresa dará lugar a um Parlamento sem maioria absoluta.

Tal situação não acontece desde 1974 e, segundo a projeção elaborada hoje pela London School of Economics (LSE), será o cenário da próxima Câmara dos Comuns, a câmara baixa do Parlamento.

Se as previsões das pesquisas se confirmarem amanhã, a LSE deduz que os conservadores seriam a principal força da Câmara, com 275 deputados, seguidos dos trabalhistas (264) e dos liberal-democratas (79).

Isso colocaria os tories a 51 cadeiras da maioria absoluta, o que os obrigaria a buscar alianças.

A estimativa da LSE não considera o chamado "voto tático", o voto que procura apenas evitar a vitória dos conservadores. Levando-o em conta, os trabalhistas seriam a força dominante, com 286 deputados, seguidos pelo tories (251) e os liberal-democratas (81).

Com esses dados em mão, Brown insistiu nas últimas horas em sua mensagem de que é a pessoa adequada para consolidar a saída da crise e se apoiou nos números divulgados hoje pela União Europeia de que o Reino Unido terá o maior crescimento dentro do bloco em 2011.

O primeiro-ministro preferiu não antecipar os passos no caso de um Parlamento sem maioria e pediu respeito ao que for decidido pelos britânicos nas urnas.

Cameron, que se ganhar as eleições passará a ser, aos 43 anos, o primeiro-ministro mais jovem do Reino Unido desde o século XIX, é o grande favorito, mas tem falado da necessidade de um "sprint final" para vencer "no campo das ideias".

Consciente da importância do momento, que devolveria aos tories o número 10 de Downing Street após 13 anos de trabalhistas no poder, Cameron reconheceu que a espera pela votação chegou a um ponto de grande nervosismo.

"Restam 24 horas para ter um novo Governo no Reino Unido e para nos salvar de outros cinco anos de Gordon Brown. É um argumento muito poderoso que teremos que repetir até o cansaço. Acho que estamos diante de uma grande chance", disse.

O líder liberal-democrata também sentiu a pressão da reta final, não só por voltar à terceira posição nas enquetes, mas pelos ataques que recebeu do Trabalhismo, cujos estrategistas dizem acreditar que a "onda Clegg" se dissolverá nas urnas.

Clegg pediu a seus partidários que não se deixem intimidar.

"Imaginem como vocês se sentiriam ao levantar na sexta-feira de manhã e encontrar os conservadores e David Cameron no número 10, só porque pensam que chegou a vez deles", afirmou em um de seus últimos comícios.

Com todos esses ingredientes, essas eleições - possivelmente com participação elevada - são as mais incertas em décadas, o que gerou um grande interesse na população. Prova disso são as expectativas das casas de apostas, que pretendem lucrar mais de 25 milhões de libras (US$ 37 milhões) com o pleito.

Segundo as casas Ladbrokes e William Hill, a grande parte das apostas espera um Parlamento sem maioria absoluta ou com uma maioria de conservadores, com 315 deputados, a apenas 11 de obter a metade mais um das cadeiras da Câmara.

Num país em que se aposta em tudo, as casas se atreveram inclusive a aceitar apostas sobre a solidez do casamento de Brown no caso de uma derrota eleitoral: um divórcio de Gordon e Sarah está pagando 250 para 1.

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