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06/05/2010 - 15h53

Apesar da rejeição popular, plano de austeridade avança na Grécia

Ramón Santaularia.

Atenas, 6 mai (EFE).- Apesar da rejeição ferrenha de vários setores da sociedade, o Parlamento da Grécia aprovou hoje o severo plano para reduzir o déficit fiscal e regular as abaladas contas do país, o que permitirá o acesso à ajuda bilionária patrocinada pela zona do euro e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O governante Movimento Socialista Pan-helênico (Pasok), com uma cômoda maioria absoluta, obteve o sinal verde para o programa trienal, com uma aplicação imediata e até com efeitos retroativos em alguns casos.

Mas a pressão contra as medidas segue forte. Ante as portas do plenário, cerca de 20 mil pessoas protestaram, pelo segundo dia consecutivo, contra o plano, que prevê uma perda considerável da qualidade de vida para muitos dos 11 milhões de gregos.

O programa de austeridade foi aprovado por 172 deputados, enquanto 121 votaram contra e três se abstiveram. Do total de 300 membros do Parlamento (unicameral), quatro faltaram a sessão.

A previsão é de economizar 30 bilhões de euros em três anos e diminuir o déficit de 13,6% do Produto Interno Bruto (PIB) para menos de 3%, como fixado pela zona de moeda única europeia.

Entre outras medidas, o plano de economia abrange duras reduções salariais e de aposentadorias, tanto no setor privado como no público, e vetará novas contratações de funcionários nos próximos anos.

Até o momento, já foi aplicado o aumento de 10% nos impostos sobre tabaco, álcool e gasolina, além de uma elevação do IVA (imposto sobre valor agregado), um aumento da idade de aposentadoria e a flexibilização das demissões.

O progresso na aplicação do plano será supervisado por um conselho de vigilância integrado por analistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Central Europeu (BCE) e da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), os três organismos que respondem pela ajuda.

O montante servirá, entre outros objetivos, para cobrir o pagamento da dívida grega, que com 273 bilhões de euros supera 115% do PIB.

O vencimento mais imediato de bônus grego é 19 de maio, quando Atenas deverá se responsabilizar por 9 bilhões de euros, quantia que não possui.

O primeiro relatório sobre o cumprimento do plano de austeridade será apresentado em junho. O fluxo da ajuda externa, de 80 bilhões de euros da Europa e 30 bilhões de euros do FMI, dependerá dos resultados obtidos.

O debate parlamentar de hoje foi de certa forma manchado pela morte ontem de três pessoas num incêndio provocado por manifestantes num banco em Atenas, durante uma grande greve geral de 24 horas.

Sobre isso, o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, disse no plenário do Parlamento que a "violência e as pedras" não tirarão o país da recessão, mas "criarão um maior problema".

Também ressaltou a necessidade de isolar as pessoas violentas e afirmou que entende a raiva perante a situação criada pela irresponsabilidade, em alusão à deficiente gestão econômica herdada do Governo anterior (conservador) em outubro de 2009.

"Não pediríamos agora sacrifícios se não tivesse acontecido um saque desse tipo", declarou Papandreou, após reconhecer que "todos os que governaram a Grécia têm culpa pela situação atual".

Entre eles estava seu próprio pai, Andreas, que governou entre 1981 e 1996, com interrupções, e que abriu generosamente a 'torneira' do Estado de bem-estar aos gregos.

Giannis Stournaras, economista diretor da Fundação de Pesquisa Econômica e Industrial (Iobe), explicou hoje à Agência Efe que o programa e o pacote de resgate são a única alternativa viável para a Grécia, e não a declaração de quebra estatal, mesmo que o preço social a ser pagado vá ser alto.

A reação generalizada de rejeição às medidas de Atenas e outras cidades ganhou força nas últimas semanas com protestos e greves, que ontem paralisaram muitos serviços públicos, incluindo o tráfego aéreo, marítimo e ferroviário.

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