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06/05/2010 - 11h44

Goodluck Jonathan assume presidência da Nigéria após morte de Umaru Yar'Adua

Lagos, 6 mai (EFE).- Goodluck Jonathan, um cristão do sul da Nigéria, assume hoje o cargo de presidente do país e entra no lugar de Umaru Yar'Adua, um muçulmano do norte que morreu ontem à noite em Abuja.

Jonathan também se torna automaticamente comandante-em-chefe da Forças Armadas do país mais povoado da África - a Nigéria tem 150 milhões de habitantes.

O novo presidente nasceu no dia 20 de novembro de 1957 em Otueke, no estado petroleiro Bayelsa, na região do Delta do Níger e pertence a etnia ijaw.

Ele se formou em ciências, com especialização em zoologia e, posteriormente, realizou um mestrado em biologia marinha e pesca e um doutorado em zoologia na Universidade de Port Harcourt, na principal cidade do Delta do Níger.

Jonathan trabalhou como inspetor de educação, leitor e funcionário do serviço de proteção ambiental até começar a atuar na política em 1998.

A meteórica ascensão de Jonathan chegou ao ápice hoje, quando ele assumiu os cargos de presidente e comandante-em-chefe das Forças Armadas na Residência Presidencial de Abuja.

Comentaristas nigerianos dizem que "a sorte política de Jonathan vem do seu nome: Goodluck (boa sorte, em inglês)".

Em 1999, após haver ter sido eleito vice-governador de Bayelsa, ele assumiu como governador de seu estado natal depois que seu antecessor, Diepreye Alamieyeseigha, foi cassado por corrupção.

De governador Jonathan passou a candidato à Vice-Presidência junto com Yar'Adua pelo Partido Popular Democrático (PDP) nas eleições de 2006.

Yar'Adua assumiu no dia 29 de maio de 2007 e Jonathan o acompanhou como vice-presidente, em um Governo com dois desafios principais: acabar com a violência na região petrolífera do sul e lutar contra a corrupção.

Aos poucos, Yar'Adua começou a apresentar problemas de saúde, mas se manteve firme. Em 2009 propôs uma anistia e conseguiu fazer com que uma grande parte dos grupos do Delta do Níger depusessem suas armas, o que acalmou a região consideravelmente permitindo recuperar a produção petrolífera, base da receita da Nigéria.

Embora a medida tenha acabado com a violência política no Delta do Níger, Yar'Adua deixou Jonathan com o problema dos sequestros na região petrolífera e o conflito entre grupos muçulmanos e cristãos no centro do país.

Yar'Adua sofria de problemas renais, e teve que ser levado para a Arábia Saudita em novembro para tratar de uma grave dor no peito e, desde então, não voltou a aparecer em público.

No entanto, devido a disputas legais e políticas, até o dia 9 de março Jonathan ainda não havia sido investido pelo Parlamento como presidente interino. Antes disso, no dia 24 de fevereiro, Yar'Adua retornou a Abuja, onde ficou isolado em uma unidade médica especial na Residência Presidencial, morrendo ontem à noite.

No período em que Yar'Adua permaneceu incomunicável, as tensões políticas no país, onde diversos grupos de influência tratam de melhorar suas posições, dispararam dado o vazio de poder deixado pelo presidente.

Após o juramento presidencial Jonathan, casado e pai de dois filhos, manifestou sua "profunda sensação de perda e tristeza" pela morte de Yar'Adua. Ele deve governar o país até 2011, quando serão realizadas novas eleições.

Sobre seu mandato, assegurou que manterá "um compromisso total com a boa governança, a reforma eleitoral e a luta contra a corrupção".

No político, o novo governante enfrenta a uma das tradições não escritas da política nigeriana: a alternância de presidentes muçulmanos e cristãos no cargo.

Como Yar'Adua era muçulmano, nas próximas eleições seria a vez de um presidente cristão assumir, mas com Jonathan no cargo muitos consideram que o revezamento já foi feito e pedem outro muçulmano.

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