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06/05/2010 - 14h58

Morte de Yar'Adua deixa um país necessitado de uma liderança urgente

Lagos, 6 mai (EFE).- A morte do presidente da Nigéria, Umaru Yar'Adua, deixa para seu sucessor, Goodluck Jonathan, um país que clama por uma liderança forte capaz de enfrentar problemas que vão da violência e corrupção a conflitos étnicos e religiosos.

Yar'Adua, um muçulmano de 58 anos, foi enterrado hoje mesmo, como prescreve o Islã, deixando os cargos de chefe do Estado e comandante-em-chefe das Forças Armadas para Jonathan, até então vice-presidente.

O governante passou seus últimos meses lutando contra uma série de doenças até falecer ontem na Residência Presidencial de Abuja.

Dentro dos sete dias de luto nacional decretado pelo Governo, milhares de pessoas da região muçulmana setentrional devem se concentrar no estádio de Katsina para dar o último adeus ao presidente, cujo caixão foi levado por um avião militar até sua cidade natal, situada à beira do Deserto do Saara.

Após chegar à Presidência no dia 29 de maio de 2007, Yar'Adua começou a sofrer de problemas renais e seu estado de saúde se agravou no final do ano passado, sendo que no dia 23 de novembro ele teve que ser levado urgentemente para a Arábia Saudita para tratar uma pericardite aguda e, embora tenha retornado no dia 24 de fevereiro, não chegou a aparecer em público novamente.

Jonathan, um cristão de 52 anos original da região petrolífera do sul do país e da etnia ijaw, foi designado presidente interino pelo Parlamento no dia 9 de março e assumiu o governo oficialmente hoje, 12 horas depois da morte de Yar'Adua.

A Nigéria é o país mais populoso da África, com 150 milhões de habitantes, e a grande riqueza petrolífera acaba se perdendo nas mãos da administração deixando grande parte da população na miséria.

Se quiser cumprir com seus compromissos, Jonathan - que segue no governo até 2011 quando serão realizadas novas eleições -, terá que enfrentar a violência religiosa no centro do país, onde o conflito entre pastores transumantes muçulmanos e os camponeses cristãos deixou milhares de vítimas na última década.

Também deverá enfrentar os compromissos de regeneração social e desenvolvimento adquiridos com os grupos rebeldes desarmados na zona petrolífera do sul, sua região natal, para evitar um aumento da delinquência e, especialmente, dos sequestros nessa região.

A estabilidade da região petrolífera meridional é essencial para a Nigéria, tradicionalmente o maior produtor de petróleo da África. Também é do petróleo que vem a maior parte da renda do país.

Além de todo cenário político e social tumultuoso, o novo governante enfrenta uma das tradições não escritas da política nigeriana: a alternância de presidentes muçulmanos e cristãos no cargo.

Como Yar'Adua era muçulmano, a próxima eleição deveria colocar um católico no governo. No entanto, a entrada de Jonathan faz com que muitos considerem que o revezamento já foi feito e peçam assim outro muçulmano, enquanto outros consideram que não.

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