UOL Notícias Notícias
 

11/05/2010 - 18h30

Conservadores voltam ao poder com 1º coalizão em 70 anos no R.Unido

Fernando Puchol.

Londres, 11 mai (EFE).- O Partido Conservador britânico voltou hoje ao poder após 13 anos na oposição, com David Cameron como primeiro-ministro e com o apoio político do Partido Liberal-Democrata, no que será o primeiro Governo de coalizão do Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial.

David Cameron, que aos 43 anos é o chefe de Governo britânico mais jovem desde princípios do século XIX, foi nomeado pela rainha Elizabeth II oficialmente como primeiro-ministro em um breve encontro no Palácio de Buckingham.

Antes de entrar no número 10 de Downing Street já como premiê e em companhia da mulher, grávida de cinco meses, Cameron fez uma breve declaração, que começou com um agradecimento ao antecessor, o trabalhista Gordon Brown.

No melhor estilo fair play britânico e após uma campanha eleitoral e eleições de alta carga emocional, Cameron admitiu que, após 13 anos de Governos trabalhistas, o Reino Unido é agora "mais aberto em casa e mais compassivo fora".

Sobre o Governo de coalizão que formará com o Partido Liberal-Democrata, de Nick Clegg, o que lhe permitirá ter a maioria parlamentar que não conseguiu nas urnas no dia 6, o novo primeiro-ministro já disse que enfrentará problemas sérios.

Suas primeiras palavras como chefe do Governo foram para destacar a necessidade de enfrentar com urgência "um déficit enorme, sérios problemas sociais e um sistema político que deve ser reformado" "Por essas razões, minha intenção é formar uma sólida coalizão entre os conservadores e os liberal-democratas. Acho que é a maneira correta de dar a esse país o Governo sólido, estável, bom e decente que acho que precisamos com urgência", afirmou.

Sem dar detalhes sobre os termos do acordo político com os liberal-democratas, o primeiro-ministro assegurou que tanto ele como Clegg são líderes políticos que querem deixar de lado as diferenças de partido e trabalhar duro pelo bem comum.

Em um tom mais solene, declarou que decidiu entrar na política por amor ao Reino Unido e tentou lançar uma mensagem de otimismo, afirmando que haverá dias melhores pela frente.

Cameron prometeu que seu Governo sempre cuidará dos "mais velhos, dos frágeis e dos mais pobres, e que desenvolverá o trabalho a partir "dos valores de liberdade, justiça e responsabilidade".

Foi a declaração de um primeiro-ministro que enfrenta a difícil tarefa de consolidar a recuperação econômica britânica e de aplicar os cortes nos gastos públicos que defendeu durante a campanha eleitoral e que podem tornar o novo Governo altamente impopular, porque serão muitos os setores afetados.

À frente da política econômica, segundo as primeiras informações, estará George Osborne, até agora responsável econômico dos tories e estreito colaborador de Cameron, que será o encarregado de iniciar um primeiro corte de 6 bilhões de libras (7 bilhões de euros) este mesmo ano.

A luta contra o déficit, que em 2010 alcançará 178 bilhões de libras (210 bilhões de euros), é o elemento central do pacto de conservadores e liberal-democratas, junto à reforma do sistema eleitoral reivindicado por estes últimos, que defendem um sistema mais representativo do voto popular.

Esta é a maior concessão dos tories na negociação para poder voltar ao Governo, já que os conservadores são partidários de manter o sistema de voto majoritário e uninominal atual, e o máximo a que se comprometeram é a propiciar um plebiscito que permita aos britânicos se pronunciar sobre a reforma.

O dia teve também uma grande carga simbólica com a saída de Brown de Downing Street. A mudança representa o fim de uma era, iniciada em 1997 com a chegada de Tony Blair ao poder empurrado pelo Novo Trabalhismo, época que mudou a cara do Reino Unido.

Com a voz tremida, Brown se despediu afirmando que foi "um privilégio" ser primeiro-ministro e que fez o possível para tornar o Reino Unido "mais tolerante, ecológico, democrático, próspero e justo".

Brown defendeu seu trabalho como primeiro-ministro em um contexto econômico muito difícil. "Sempre quis fazer o melhor para o interesse do Reino Unido, de seus valores e de sua gente", completou.

Após apresentar sua renúncia à rainha, se reuniu com militantes trabalhistas para anunciar que Harriet Harman, até agora o segundo na hierarquia do partido, assumirá provisoriamente a liderança da legenda até a designação de um novo nome.

São vários os potenciais candidatos, entre os que se destacam o chanceler, David Miliband, seu irmão e ministro da Energia, Ed Miliband, o ministro da Educação, Ed Balls, e o deputado da ala esquerda do partido Jon Cruddas.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host