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12/05/2010 - 14h12

Cameron e Clegg apresentam aliança como nova era na política britânica

Judith Mora.

Londres, 12 mai (EFE).- O novo primeiro-ministro do Reino Unido, o conservador David Cameron, e o vice-premiê, o liberal-democrata Nick Clegg, apresentaram hoje seu Governo de coalizão, como o começo de uma nova era na política britânica.

Os dois políticos destacaram que sua aliança é símbolo de maturidade e asseguraram que persistirá durante toda a legislatura, apesar dos desafios criados não só pela delicada situação financeira no Reino Unido, mas também por suas próprias diferenças políticas.

"Temos não só um novo Governo, mas uma nova política, na qual o interesse nacional está acima dos partidos", declarou Cameron, em sua primeira entrevista coletiva como primeiro-ministro, acompanhado por Clegg.

Cameron foi além, ao afirmar que a união com seus antigos rivais, depois de cinco dias de negociações após eleições nas quais os conservadores ganharam o maior número de cadeiras, mas não conseguiram maioria absoluta, representa uma mudança na política britânica de proporções "históricas".

"Temos a determinação compartilhada de enfrentar os desafios do país: garantir nossa segurança nacional e apoiar nossas tropas no exterior, enfrentar a crise da dívida, reparar nosso sistema político e construir uma sociedade mais forte", afirmou Cameron, que não negou a dificuldade de resolver os obstáculos enfrentados pela coalizão.

Já em seu discurso, Clegg insistiu em que o novo Governo "será durável", apesar das diferenças entre os partidos, porque estão unidos no propósito de manter um Executivo estável.

"Até hoje éramos rivais e agora somos colegas, e isso é algo que diz muito sobre esta nova política", disse o novo vice-primeiro-ministro.

Para demonstrar "a profundidade e a força" de sua aliança, Cameron lembrou os seis ministros do partido de Clegg que farão parte do novo Governo de coalizão e assegurou que haverá representantes de seus aliados em todas as áreas do Governo.

Os liberal-democratas ocuparão, entre outras, as pastas de Meio Ambiente, com Chris Huhne como ministro; e de Negócios e Bancos, com Vince Cable; enquanto Danny Alexander e David Laws - ambos negociadores do acordo de coalizão - serão, respectivamente, titular para a Escócia e secretário chefe do Tesouro.

Frente à aparente sintonia entre os dois líderes, não faltam em seus partidos os céticos que duvidam da viabilidade de uma coalizão entre duas formações ideologicamente muito distantes e, em certos pontos, claramente opostas.

Para alcançar a aliança, os dois partidos tiveram que fazer concessões, e, enquanto os "tories" cederão seis ministérios aos liberal-democratas, estes parecem ter feito os maiores sacrifícios programáticos.

O partido Liberal Democrata aceitaram os planos conservadores de reduzir o déficit estatal em 6 bilhões de libras (US$ 7,02 bilhões de euros), com cortes nos gastos público ainda este ano, em vez de esperar a consolidação da recuperação.

Também renunciaram a sua política de conceder uma anistia para regularizar a imigração ilegal para, por outro lado, apoiar a iniciativa "tory" de impôr um limite à imigração extracomunitária.

Em matéria de Defesa, os liberais arquivaram a proposta-chave de sua campanha eleitoral de não renovar o sistema Trident de dissuasão nuclear, mas sua viabilidade será analisada.

O partido de Clegg aceitou a exigência "tory" de submeter a plebiscito toda futura transferência de competências a Bruxelas e de não adotar a moeda única europeia enquanto durar a legislatura.

Os dois partidos também concordaram em fixar em cinco anos a duração da legislatura e apresentar propostas para uma eleição democrática na Câmara dos Lordes. Uma exigência crucial dos liberais era a substituição do atual sistema eleitoral unipessoal majoritário por outro de representação proporcional.

A principal concessão conquistada por seus aliados nesse ponto é o compromisso de convocar um plebiscito sobre o chamado sistema alternativo, uma opção intermediária que leva em conta as segundas preferências dos eleitores para somar votos até que um candidato obtenha maioria absoluta.

Já o ex-ministro de Exteriores David Miliband apresentou hoje sua candidatura para substituir o ex-primeiro-ministro Gordon Brown à frente do Partido Trabalhista.

"Serei candidato (...) com um profundo sentimento de humildade e com uma grande paixão pelos valores e causas que me trouxeram ao Partido Trabalhista há 27 anos", disse Miliband, em um discurso em frente ao palácio de Westminster.

Miliband, de 44 anos, foi nomeado ministro de Exteriores em junho de 2007 por Brown, que renunciou à Presidência do Partido Trabalhista após a derrota da formação política nas eleições.

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