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15/05/2010 - 13h54 / Atualizada 15/05/2010 - 13h56

Com mais 8 mortes, onda de violência continua nas ruas de Bangcoc

(atualiza com declarações do premiê e número de mortos).

Miguel F. Rovira.

Bangcoc, 15 mai (EFE).- Os confrontos nas ruas do centro de Bangcoc, que continuam pelo terceiro dia seguido, deixaram hoje mais oito mortos, entre manifestantes opositores ao Governo e soldados tailandeses, que cercam a base dos camisas vermelhas.

Com isso, subiu para 24 o número de vítimas dos distúrbios, iniciados na quinta-feira passada com o começo da grande operação contra os manifestantes, que envolve 30 mil soldados e policiais.

Os confrontos deixaram ainda cerca de dez feridos em vários pontos das imediações da zona onde a maior parte dos camisas vermelhas está entrincheirada. As tropas precisaram usar a força para conter os manifestantes, armados com pistolas e explosivos artesanais.

Outros camisas vermelhas, muitos deles com a cabeça coberta com um capacete de plástico, levavam atiradeiras, barras de ferro e outras armas artesanais.

Os mortos e feridos se produziram em um tiroteio ocorrido no acesso norte da área de 3 quilômetros quadrados onde fica a base dos manifestantes.

Em outro extremo da zona ocupada, perto do parque de Lumpini, vários manifestantes ficaram feridos quando os soldados abriram fogo após serem atacados com duas granadas.

Desde quinta-feira, pelo menos 170 pessoas ficaram feridas à bala, entre elas um repórter canadense e três tailandeses. Hoje, um fotógrafo do diário local "The Nation" foi atingido na perna por um tiro.

O porta-voz do Governo, Panitan Wattanayagorn, afirmou, em entrevista coletiva, que os camisas vermelhas lançaram desde quinta-feira passada pelo menos 16 granadas contra várias posições militares.

"As tropas podem controlar a situação", apontou, porém.

Também houve durante a manhã tiroteios no distrito financeiro da capital, colado em um dos lados da 'base vermelha', assim como em rodovias que conectam Bangcoc com o norte e o aeroporto internacional. Um desses acessos foi bloqueado por partidários da frente antigovernamental.

Após algumas horas de confrontos esporádicos, a frente dos camisas vermelhas pediu ao Exército que declare cessar-fogo para retomar a negociação política com o Governo. O primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva havia se afastado das conversas esta semana em resposta à recusa dos manifestantes em pôr fim aos protestos.

"Exigimos que o Exército pare de atirar e recue as tropas imediatamente para evitar mais mortes. Então, poderemos estudar as exigências políticas", assinalou Natthawut Saikura, um dos líderes da chamada Frente para a Democracia e Contra a Ditadura.

Em discurso televisionado, o primeiro-ministro advertiu da iminência de uma ação contundente para acabar com a frente antigovernamental.

"Não vamos recuar e permitir que aqueles que violam a lei e criaram uma milícia armada intimidem o Governo", disse o chefe de Governo.

Segundo o Governo, atrás das barricadas levantadas pelos manifestantes para se proteger de um eventual ataque das forças de segurança há seis mil pessoas, um número que os líderes da frente elevam a mais de dez mil.

Na área fortificada, tomadas por pulgas e moscas que cercam as toneladas de lixo acumuladas, ainda se ouvem as mesmas reclamações dos líderes, que há dois meses exigem a dissolução do Parlamento e eleições antecipadas.

O Exército, que impede a entrada de civis na área protegida, mas permite que saiam delas, tem franco-atiradores posicionados em locais tomados pelos soldados. Cartazes alertam que quem tentar entrar no reduto rebelde estará em "zona de fogo real".

Os franco-atiradores, que hoje mataram um manifestante que se posicionava em um prédio para atirar contra um posto militar, se tornaram a arma mais letal do Exército contra os protestos.

Enquanto as ruas próximas à zona de conflito estavam desertas e bloqueadas por soldados, no resto de Bangcoc, cidade de 1.568 quilômetros quadrados, as pessoas seguiam com suas tarefas diárias, mas acompanhando o desenlace da situação, que, seja qual for, não deverá encerrar a tensão entre a elite urbana e o campesinato.

Desde que, há dois, começaram os protestos em Bangcoc, pelo menos 53 pessoas morreram e cerca de 1.400 ficaram feridas em explosões de granadas, outros artefatos e em enfrentamentos entre as tropas e os manifestantes que querem derrubar o Governo.

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