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15/05/2010 - 11h50 / Atualizada 15/05/2010 - 11h57

Perto de receber Lula, Irã abre portas a acordo de troca nuclear

Teerã, 15 mai (EFE).- O Irã considera que o terreno está "preparado" para um acordo sobre a proposta de troca nuclear, assegurou hoje o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do país, Ramin Mehmanparast.

Em declarações à agência de notícias "Irna", o porta-voz antecipou que esse será o tema principal da reunião deste domingo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

"O Irã percebe o terreno bem preparado para um acordo sobre a troca de combustível", afirmou.

Grande parte da comunidade internacional, com Washington, Londres e Berlim à frente, acusa o regime iraniano de ocultar, sob seu programa atômico civil, outro de natureza clandestina e aplicação bélica cujo objetivo seria a aquisição de arsenal nuclear, o que é negado por Teerã.

A queda de braço se agravou nos últimos seis meses, depois que o Irã colocou empecilhos a uma oferta de troca de combustível nuclear para seu reator civil e começou a enriquecer urânio a 20% por conta própria.

Desde então, os EUA, apoiados por, entre outros, França e Reino Unido, tentam pactuar uma nova série de sanções, que, segundo diplomatas, pode estar pronta em junho próximo.

O Irã trabalhou no próprio Conselho de Segurança para tentar integrar na resolução da polêmica os dez membros não-permanentes do principal órgão da ONU.

A China, único país com direito a veto que abriga reservas, mantém uma posição até aqui ambivalente.

Já Turquia e Brasil, em princípio contrários a medidas punitivas, ganharam força como mediadores, um papel que despertou suspeitas, em particular em Washington.

No entanto, Teerã travou o acordo sobre a troca, alegando não confiar na outra parte. Fora isso, exige como garantia que o intercâmbio aconteça de forma simultânea, em território iraniano e sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o que tem a oposição das potências.

O Brasil sugeriu como alternativa que a troca seja em outro país, e apontou para o outro mediador, a Turquia, como solução. Para o Governo, Ancara aparece como saída por sua posição geográfica e pela boa relação com Teerã.

No entanto, esta semana o Irã reiterou que sua opção é de que a polêmica troca aconteça dentro de suas fronteiras.

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