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19/05/2010 - 13h57 / Atualizada 19/05/2010 - 15h14

Caos toma conta da Tailândia após ataque a base dos "camisas vermelhas"

Miguel F. Rovira.

Bangcoc, 19 mai (EFE).- O Governo da Tailândia declarou hoje o toque de recolher em Bangcoc depois que as tropas atacaram a base dos "camisas vermelhas" no coração comercial da cidade e grupos de seguidores atacaram e incendiaram edifícios na capital e em várias províncias do país.

Ao menos 15 pessoas - entre elas um repórter italiano - morreram hoje e 70 ficaram feridas durante os tiroteios travados entre os manifestantes e o Governo. Apoiados por tanques os soldados penetraram por todos os lados na área ocupada há quase seis semanas pelos "camisas vermelhas".

Outras duas pessoas morreram nos distúrbios que explodiram em várias províncias do nordeste do país. Em represália os "camisas vermelhas" atacaram edifícios oficiais.

As tropas não tiveram que fazer muito esforço para derrubar e ultrapassar as barricadas de pneus e estacas de bambu, que os "camisas vermelhas" cobriram previamente com combustível para queimá-las à passagem dos soldados.

Após avançar centenas de metros por diferentes ruas quase sem encontrar resistência, as tropas se detiveram a pouca distância do epicentro do acampamento em que, segundo estimativas, havia naquele momento cerca de três mil manifestantes, entre eles muitas mulheres e idosos.

Perto, paramilitares da frente vermelha, alguns deles com armas de fogo, se entregaram e foram presos, enquanto os soldados apertavam o cerco para evitar que os líderes escapassem aproveitando o caos em algumas áreas do acampamento.

Com os líderes e manifestantes encurralados, o Governo tailandês anunciou em uma mensagem divulgada na televisão que a operação militar tinha sido um "sucesso".

Cerca de sete horas depois das tropas entrarem no acampamento, os líderes do protesto anunciavam sua rendição e pediam a seus seguidores que fossem embora.

"Vocês sabem que nunca os abandonaríamos, mas chegou o momento de evitar mais mortes, porque são nossos 'camisas vermelhas' que estão sendo mortos", disse Jatuporn Promphan, um dos líderes dos "camisas vermelhas" antes de descer do palco montado no centro da área ocupada.

Minutos depois, Promphan e outros líderes dos "camisas vermelhas" foram escoltados por agentes da Polícia para o quartel-general da instituição.

A reação ao ataque, a rendição e a prisão dos líderes do protesto não demorou a acontecer.

Nos arredores de Bangcoc, centenas de partidários dos "camisas vermelhas" assaltaram e tomaram o controle da sede da "Thaicom", que bloqueia por ordem do Governo o sinal de satélite da rede de televisão "PTV" dos "camisas vermelhas".

A violência se estendeu rapidamente pelas províncias do nordeste do país, bastião do movimento dos "camisas vermelhas" guiado e financiado pelo ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, exilado em Dubai após ser condenado à revelia a dois anos de prisão por um delito de corrupção cometido antes do golpe de Estado que o tirou do poder em 2006.

Grupos bem organizados e formados por milhares de "camisas vermelhas" raivosos atacaram e incendiaram as Prefeituras das cidades de Udon Thani, Khon Kaen, Ubon Ratchatani, Mudhakan e também da turística Chiang Mai que, assim como o resto, está em estado de exceção.

Em Bangcoc, grupos incendiaram o edifício da Bolsa de Valores, saquearam comércios e luxuosas lojas de departamento situadas no centro e em pelo menos outras 14 áreas da cidade, na qual vivem 12 milhões de pessoas.

Os jornais "Bangcoc Post" e "The Nation", os periódicos com edição em inglês e tailandês com maior circulação no país, evacuaram seu pessoal com medo de que fossem alvo de um ataque dos "camisas vermelhas", que os acusam de manter uma linha editorial próxima ao Governo.

O edifício do canal 3 da televisão estatal foi incendiado, e parte de seu pessoal foi retida do terraço em helicópteros.

Em resposta, o Governo declarou o toque de recolher em Bangcoc, das 20h local (10h, Brasília) até às 6h local (20h, Brasília) do dia seguinte.

O anúncio levou as empresas a fecharem suas portas e dezenas de milhares de cidadãos correram para os supermercados que permaneciam abertos para comprar comida para estocar.

Com o toque de recolher, as ruas de Bangcoc ficaram quase desertas enquanto os canais locais de televisão emitiam continuamente mensagens advertindo que estava proibido sair de casa, exceto em casos de necessidade de atendimento médico ou de viajantes que partiam ou chegavam de destinos internacionais.

O número de pessoas que morreram desde o começo dos protestos passou para 84 e o de feridos para 1,8 mil.

O primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, defendeu o toque de recolher declarado hoje em Bangcoc e em outras 23 províncias do país, e o qualificou de necessário para restaurar a ordem após a onda de saques e violência.

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