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24/05/2010 - 06h08 / Atualizada 24/05/2010 - 06h43

Baixo custo atrai pacientes dos EUA para tratamento na América Latina

Susana Irles
Da EFE
Em Washington

A América Latina se transformou em um centro médico de baixo custo para os americanos que, cada vez mais, fazem turismo de saúde, atraídos pela diferença de preços e pela oferta crescente de empresas especializadas.

Para os moradores dos Estados Unidos, extrair o siso pode ser mais doloroso para o bolso do que propriamente dito para a boca. O serviço no país americano custa em torno de US$ 10 mil. Uma viagem pode reduzir esse custo em alguns zeros.

Anglo-saxões e hispânicos que moram nos EUA sabem da diferença e preferem subir em um avião e cruzar a fronteira para receber tratamento médico.

"Temos preparadas limusines para receber no aeroporto de San Diego e os transportar ao hospital", conta à Agência Efe Jim Arriola, presidente de Sekure, empresa de seguro médico combinado com hospitais e consultas no México e nos EUA em função do preço do tratamento.

A recessão econômica favoreceu o setor e a empresa nos últimos seis meses. Os americanos já dominam 90% das consultas com a empresa pela internet.

"A crise ajudou muito o negócio, não tanto pelos latinos, mas pelos anglo-saxões. Muitos perdem a cobertura de saúde em seu país e optaram por vir ao México. Outros percebem a diferença de preço e decidem atravessar a fronteira", explica.

No ano passado, 952 mil moradores da Califórnia viajaram ao México para receber algum tratamento médico, dos quais 488 mil eram imigrantes mexicanos, segundo um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Entre as conclusões da pesquisa, identificou-se que o turista de saúde mais comum não é o que tem menos recursos, mas o de classe média, porque o custo da viagem pode ser caro demais para o primeiro.

No México, existem destinos populares como Nuevo Progreso e Matamoros onde é possível fazer uma consulta em um dia e obter prescrições para remédios ou óculos de grau, como indica a Associação Global de Turismo Médico (MTA, na sigla em inglês).

De fato, uma pesquisa do Survey Group de 2009 aponta que entre 80% e 90% dos pacientes de dentistas em povoados da fronteira são americanos.

Além da fronteira, nos últimos três anos, o negócio "começou despertar maior interesse e desde o semestre passado já começa a consolidar-se", precisa Arriola.

Para isso, foi decisivo o apoio de Governos locais e estaduais e a certificação de qualidade de hospitais, assuntos que serão discutidos em 25 de agosto no primeiro congresso nacional de turismo de saúde do México.

Embora o país vizinho conte com o privilégio da localização para os americanos, outros países lideram o negócio no mundo.

Países da Ásia são fortes concorrentes. Entre 1990 e 2000, a região multiplicou os investimentos de US$ 36 mil para US$ 155 bilhões, conforme um estudo da revista "The Lancet".

No mundo, a Tailândia é o principal fornecedor de serviços com mais de 1 milhão de pacientes ao ano e receita de US$ 615 milhões, a Costa Rica é um dos destinos mais populares nos Estados Unidos e é o país que sediou o primeiro congresso de turismo de saúde da América Latina em abril passado.

Seus pacotes turísticos podem combinar operações no joelho com uma temporada na praia. Outros procedimentos mais delicados exigem viagens em aeronaves com cuidados médicos especiais.

Clínicas do Brasil, Colômbia e Argentina dominam o turismo de saúde da América Latina dedicado à cosmética e à cirurgia estética, mas estes países atraem também pacientes interessados em cirurgias de coração e angioplastia, de acordo com a MTA.

A razão é o preço. Em alguns casos, as faturas se multiplicam por quase sete vezes: um "by-pass" para o coração nos Estados Unidos pode custar US$ 130 mil e US$ 24 mil na Costa Rica.

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