UOL Notícias Notícias
 
24/05/2010 - 10h05 / Atualizada 24/05/2010 - 10h06

Debate sobre retirada de tropas do Líbano permanece em Israel 10 anos depois

Elías L. Benarroch.

Jerusalém, 24 mai (EFE).- Dez anos após retirar tropas do sul do Líbano, depois de 18 anos de ocupação ininterrupta, permanece em Israel o debate sobre se a retirada unilateral de seu Exército acabou provocando conflitos armados posteriores.

A divisão de opiniões gira em torno da questão sobre se aquela retirada, feita às pressas e sem coordenação com o Governo da Síria - que ocupava o Líbano na época -, semeou a discórdia que culminaria quatro meses depois na Segunda Intifada palestina e na segunda Guerra do Líbano em 2006.

Também se discute se a saída unilateral dos israelenses da Faixa de Gaza, em 2005, motivou a radicalização islâmica da região, que passaria a ser controlada pelo grupo Hamas dois anos mais tarde.

"Na conjuntura da época, poderia dizer que sim, que tive razão", disse em recente entrevista o ex-ministro pacifista Yossi Sarid, que se opôs à retirada das tropas do Líbano pelas consequências que provocaria.

Sarid ressaltou que, sem negociar com a Síria, uma retirada unilateral sob o fogo da milícia do grupo xiita libanês Hisbolá (Partido de Deus) poderia ser interpretada pelos palestinos como um sinal de que, com Israel, só funciona a linguagem das armas.

Em 24 de maio de 2000, Israel se retirou de uma área que ocupava ao sul do rio Litani, em um processo conduzido pelo então primeiro-ministro israelense e hoje ministro da Defesa, Ehud Barak.

Foi uma decisão carregada de polêmica, mas que na época contou com o apoio majoritário da população israelense, cansada de pagar por uma custosa mobilização militar fora de suas fronteiras, que debilitava a economia local e deixava soldados mortos e feridos diariamente.

Com isso, Israel encerrou a ocupação iniciada com a invasão do país vizinho em 1982, cujo objetivo foi expulsar as milícias da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) que atacavam a Alta Galileia.

O paradoxo foi que Israel expulsou a OLP de Beirute em 1982 e se viu diante do Hisbolá, muito mais preparado no campo de batalha e que pôs em xeque seu Exército durante os anos 1990.

"Quero lembrar a todos que, quando entramos (no Líbano), não existia Hisbolá e que os xiitas (do sul do país) nos receberam com arroz perfumado e flores", explica Barak sobre a guinada da situação durante os 18 anos de ocupação.

Em entrevista ao diário "Yedioth Ahronoth", o atual ministro da Defesa explica: "Em certo momento, cheguei à conclusão de que estávamos ali porque convinha aos sírios e que, com nossa presença, o que ocorria é que o Hisbolá se fortalecia cada vez mais".

Barak havia se candidatado às eleições um ano antes com a promessa de abandonar esse território no prazo de 12 meses. Na época, ele comentava que o Exército não defendia melhor a Galileia de dentro do Líbano.

Moshe Arens, ex-ministro da Defesa no ano anterior à retirada, sustenta que a decisão de Barak se fundamentava na premissa "errônea" de que a milícia xiita deixaria de lutar assim que restituída a integridade libanesa.

"A retirada fortaleceu o Hisbolá. Eles continuaram com o terrorismo, sequestraram nossos soldados e tudo isso levou à Segunda Guerra do Líbano (em 2006)", opina.

Barak, que não se arrepende, rejeita todas as acusações porque caem no paradoxo da diplomacia israelense das últimas décadas.

"Quando há pressão (conflito armado) e baixas, não podemos tomar decisões (políticas) para não transmitir fraqueza. E quando já não há baixas nem pressão, a decisão parece ser desnecessária", argumenta ele, usando uma fórmula que lembra o círculo vicioso de Israel com os palestinos na última década.

Barak confessa que sua preferência teria sido retirar o Exército somente após um acordo pactuado com a Síria, mas, com o fracasso das negociações de Shepherdstown no início de 2000, não lhe restavam opções a não ser cumprir sua promessa eleitoral.

Debate histórico à parte, o que todos, ou quase todos, em Israel concordam é que aquela retirada do Líbano não foi nem a primeira nem a última.

"A de 2000 não é mais do que um capítulo. Saímos, voltamos a entrar e voltamos a sair (em 2006), e infelizmente voltaremos a entrar e a sair", lamenta Sarid, político aposentado, argumentando que os círculos viciosos só serão rompidos quando houver uma mudança estratégica de alcance regional.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h19

    -0,84
    3,152
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h23

    1,07
    68.706,31
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host