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24/05/2010 - 09h49 / Atualizada 24/05/2010 - 11h01

Israel desmente envio de ogivas nucleares à África do Sul durante apartheid


Em Jerusalém

Israel desmentiu que seu atual presidente, Shimon Peres, tenha oferecido em 1975 ogivas nucleares à África do Sul do "apartheid", como sugerem documentos secretos publicados hoje pelo jornal britânico "The Guardian".

Israel ofereceu ogivas à África do Sul do apartheid

Israel ofereceu ogivas nucleares ao regime segregacionista sul-africano em 1975, segundo documentos secretos que constituem a primeira prova documental da posse de armas atômicas pelo Estado judeu. Minutas das reuniões realizadas por altos dirigentes de ambos os países em 1975 indicam, segundo informa hoje o jornal britânico "The Guardian", que o ministro de Defesa sul-africano, Pieter Willem Botha, solicitou as bombas e seu colega israelense Shimon Peres, hoje presidente de Israel, as ofereceu "em três tamanhos".

Em comunicado, a Presidência de Israel ressalta que "não existe base de realidade alguma" na informação publicada pelo diário, que diz ter uma prova documental de que o Estado judeu possui armas atômicas, informação que este não confirma e também não desmente.

"Israel nunca negociou armas nucleares com a África do Sul. Não existe um só documento israelense ou uma só assinatura israelense em documento algum", acrescenta a nota.

O escritório de Peres, que à época dirigia o ministério da Defesa e que duas décadas depois recebeu o Prêmio Nobel da Paz, lamentou que o "The Guardian" tenha "decidido fazer a reportagem baseando-se na interpretação de documentos sul-africanos e não em fatos concretos", e sem consultar fontes oficiais israelenses.

A Presidência israelense adverte que enviará uma "contundente carta" ao diretor do jornal e pedirá "a publicação da verdade sobre os fatos".

"The Guardian" revela as atas de reuniões realizadas por altos dirigentes dos dois países em 1975, nas quais o ministro sul-africano de defesa, Pieter Willem Botha, pede bombas e Peres oferece "em três tamanhos".

Segundo a publicação, a expressão "três tamanhos" se refere supostamente aos três tipos de armas: convencional, química ou nuclear.

Os políticos assinaram um amplo acordo que incluía uma cláusula pela qual declarava secreta a existência do documento.

O texto foi descoberto pelo acadêmico americano Sasha Polakow-Suransky enquanto preparava um livro sobre o início da relação entre os dois países.

 

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