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24/05/2010 - 15h45 / Atualizada 24/05/2010 - 16h05

Seul corta laços comerciais com Pyongyang e exige desculpas após ataque naval

Cecilia Heesook Paek.

Seul, 24 mai (EFE).- A Coreia do Sul anunciou hoje a suspensão das relações comerciais com a Coreia do Norte e exigiu desculpas "imediatas" ao vizinho do norte pelo afundamento de um navio da Marinha sul-coreana em março e a morte de 46 tripulantes, um caso que Seul levará ao Conselho de Segurança da ONU.

Assim o confirmou o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, em discurso televisionado à nação no qual assegurou que o regime comunista norte-coreano "pagará um preço" por sua "provocação militar".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, confirmou hoje que Seul levará ao caso Conselho de Segurança e assinalou que "membros chave" do principal órgão iniciarão uma rodada de consultas para determinar a resposta ao incidente, que elevou ao máximo as tensões na península coreana.

Ao mesmo tempo, Ban reafirmou a decisão das Nações Unidas de manter a ajuda internacional à Coreia do Norte, dada "a gravidade da situação" humanitária do país liderado pelo ditador Kim Jong-il.

O navio "Cheonan", de 1,2 mil toneladas, afundou em 26 de março perto da fronteira com a Coreia do Norte por um torpedo disparado de um submarino norte-coreano, segundo as conclusões de uma equipe internacional de investigadores. Pyongyang, no entanto, nega envolvimento no caso.

Essa foi uma das piores tragédias navais da história da Coreia do Sul. Em resposta, Lee anunciou hoje a suspensão das relações comerciais com Pyongyang e de qualquer circulação de pessoas e mercadorias entre os dois países.

Segundo especialistas sul-coreanos, isso gerará uma perda de US$ 200 milhões à Coreia do Norte, que atravessa uma grave crise econômica agravada pelas sanções internacionais impostas após seu segundo teste nuclear, há um ano.

A Coreia do Sul, no entanto, manterá o complexo industrial conjunto de Kaesong, em território norte-coreano, onde várias empresas sul-coreanas utilizam mão-de-obra do Norte. Ainda assim, Seul bloqueará novos investimentos e reduzirá os funcionários do complexo.

A resposta sul-coreana inclui também a proibição de que os navios norte-coreanos naveguem por águas sul-coreanas, algo que até agora era permitido pelo Acordo Intercoreano de Transporte Marítimo de 2005.

Empossado em 2008 com uma política de pouca tolerância a Pyongyang, Lee ressaltou também que, em caso de outra provocação norte-coreana, Seul utilizará de forma imediata seu direito à autodefesa.

"Exerceremos imediatamente nosso direito à autodefesa caso nossas águas territoriais, espaço aéreo ou território sejam violados", enfatizou Lee.

Principal aliado de segurança de Seul, os Estados Unidos reiteraram hoje seu "inequívoco" apoio à Coreia do Sul.

Em comunicado divulgado pela agência "Yonhap", a Casa Branca afirmou que o presidente Barack Obama "deu instruções" para assegurar que as tropas americanas na Coreia do Sul (por volta de 25 mil soldados) "estejam preparadas" e dispostas para "impedir futuras agressões".

Lee, que elegeu o Museu da Guerra em Seul como palco de seu discurso, exigiu desculpas "imediatas" de Pyongyang à Coreia do Sul e à comunidade internacional e pediu que os responsáveis do afundamento sejam castigados.

O presidente sul-coreano reafirmou também a decisão de Seul de levar o incidente ao Conselho de Segurança da ONU para reforçar as sanções contra Pyongyang.

Já o ministro de Exteriores sul-coreano, Yu Myung-hwan, informou que Seul coordenará sua ação com os países que integram esse órgão.

Os analistas preveem que Seul redobre os esforços para convencer a China, aliada do regime norte-coreano com direito a veto no Conselho de Segurança, sobre a necessidade de sancionar a Coreia do Norte.

A resposta de Seul inclui também a realização neste ano de manobras militares na península pela Iniciativa internacional de Segurança contra a Proliferação de armas de destruição em massa (PSI), que permite a abordagem de navios suspeitos.

Além disso, Seul realizará junto com os Estados Unidos manobras navais em águas sul-coreanas e retomará táticas de "guerra psicológica" contra a Coreia do Norte.

Essas práticas incluem a emissão de propaganda através de alto-falantes na fronteira, medida que havia sido suspensa em 2004.

Pouco depois deste anúncio, Pyongyang assegurou, em seu tradicional tom bélico, que disparará contra os alto-falantes caso o Sul os utilize para divulgar propaganda.

Seul advertiu que manterá essas medidas até que Pyongyang se desculpe e se comprometa que o ataque não volte a ocorrer, mas o regime de Pyongyang nega seu envolvimento no caso.

O afundamento do "Cheonan" é o pior incidente entre os dois países na disputada fronteira marítima desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953), que terminou com um armistício, em vez de um tratado de paz.

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