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25/05/2010 - 14h17 / Atualizada 25/05/2010 - 14h43

Pyongyang rompe relações com Seul em meio a séria escalada de tensões

Seul, 25 mai (EFE).- O regime comunista de Pyongyang decidiu hoje romper suas relações com Seul e fez ameaças de possíveis "medidas militares", em meio a uma escalada das tensões na instável península.

As duras trocas verbais entre um isolado regime comunista com poder nuclear e um destacado aliado dos Estados Unidos se produzem depois de uma investigação divulgada na quinta-feira passada em Seul, que determina o envolvimento norte-coreano no afundamento de um navio militar sul-coreano, que matou 46 marinheiros em março.

Depois de o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, anunciar a suspensão do comércio entre as duas Coreias e sua intenção de levar o caso às Nações Unidas, a Coreia do Norte reforçou hoje suas ameaças.

Além de ter colocado seu Exército em alerta, Pyongyang qualificou de "farsa" a investigação sobre o afundamento, ameaçou aplicar "medidas militares" contra Seul e anunciou que as relações intercoreanas estão congeladas.

O regime comunista negou desde o início seu envolvimento no afundamento da corveta sul-coreana "Cheonan".

Em comunicado do norte-coreano Comitê para a Reunificação Pacífica da Coreia, divulgado na noite de hoje pela agência oficial "KCNA", o regime de Kim Jong-il afirmou que não retomará o diálogo intercoreano durante o mandato de Lee como presidente da Coreia do Sul.

"Declaramos formalmente que, a partir de agora, daremos início a medidas para congelar as relações intercoreanas", disse o órgão norte-coreano, segundo a agência "Yonhap".

Além disso, anunciou que proibirá a passagem de navios e aviões sul-coreanos por seu espaço aéreo e águas territoriais, congelará a cooperação entre os dois países e expulsará os funcionários sul-coreanos de seu complexo industrial de Kaesong, durante anos símbolo de uma futura reunificação das duas Coreias.

A corveta sul-coreana "Cheonan" afundou no dia 26 de março, no Mar Amarelo, por causa de uma explosão provocada por um torpedo norte-coreano, segundo uma investigação internacional divulgada na quinta-feira em Seul, que Pyonyang rejeita.

A Coreia do Sul voltou a considerar o norte como seu "principal inimigo", termo que não usava desde 2004, enquanto Pyongyang ameaça aplicar uma resposta militar.

Em outro comunicado divulgado pela agência oficial norte-coreana "KCNA", Pyongyang assegurou que "navios de guerra" sul-coreanos entraram em suas águas territoriais entre 14 e 24 de maio e alertou sobre possíveis "medidas militares" se as violações continuarem.

O regime norte-coreano acusou Seul em outras ocasiões de entrar em suas águas territoriais, pois não reconhece a chamada linha fronteiriça do norte, demarcação marítima traçada de forma unilateral no Mar Amarelo, no final da Guerra da Coreia, em 1953, por um comando liderado pela ONU.

Além disso, Seul anunciou que realizará exercícios militares antissubmarinos em seu litoral oeste nesta quinta-feira, que contarão com dez navios de guerra.

Também hoje uma organização de refugiados norte-coreanos em Seul assegurou que Kim Jong-il colocou o Exército norte-coreano e suas forças em reserva em alerta, segundo a agência local "Yonhap".

Para amanhã, está previsto que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chegue a Seul para analisar com as autoridades sul-coreanas uma resposta diplomática a Pyongyang.

Na capital chinesa, Hillary reiterou hoje o total apoio americano à Coreia do Sul, enquanto Pequim, o único grande aliado de Pyongyang, defende a calma e o diálogo entre as duas Coreias para solucionar o conflito.

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, também pediu hoje moderação para impedir uma escalada das tensões entre as duas Coreias, que provocou turbulências nas bolsas de todo o mundo.

O índice Kospi, da bolsa de valores de Seul, fechou o pregão de hoje em queda de 2,7%, em seu segundo dia consecutivo de perdas, enquanto mercados de todo o mundo estão sendo afetados pela incerteza política na península, que se soma às preocupações sobre a situação econômica da zona do euro.

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