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26/05/2010 - 10h04 / Atualizada 26/05/2010 - 10h22

Cerca de 60 mil crianças desaparecem na China a cada ano

Antonio Broto.

Pequim, 26 mai (EFE).- Cerca de 60 mil crianças desaparecem na China a cada ano vítimas de redes de prostituição, venda de menores e traficantes de escravos, mas a ação de muitos de seus pais traz esperança hoje no Dia Internacional das Crianças Desaparecidas.

Em um país onde a sociedade civil quase não existe, pelo controle do Governo chinês em todos os âmbitos, a criação de associações como a Liga de Pais de Crianças Perdidas e a Baby Come Home é um grande avanço frente a um problema que tem suas raízes nas diferenças sociais, na política do filho único e na corrupção.

Cheng Zhu, de 36 anos e fundador da liga, perdeu sua filha de cinco anos em 2005, segundo ele sequestrada por traficantes, e desde então dedica sua vida a busca da menina e de outros 1.350 menores cujos pais fazem parte da associação.

"Nosso objetivo é nos colocar em contato com outros pais para buscar juntos e assim chamar mais a atenção da imprensa e da população", conta Cheng à Agência Efe.

No começo deste ano Cheng e outros pais da associação empreenderam uma midiática "longa marcha" percorrendo todo o país de carro e parando em dezenas de cidades para distribuir fotos das crianças perdidas e conscientizar a população sobre este problema.

Pelo menos um menino, no sudeste do país, foi recuperado graças à viagem.

Uma mulher que recebeu um dos folhetos reconheceu seu filho como um dos desaparecidos e o entregou à Polícia para que fosse devolvido a seus pais biológicos. A lei chinesa não pune os compradores de crianças que as devolvem a seus verdadeiros progenitores.

A compra de crianças por famílias parece ser a principal origem deste triste fenômeno, já que muitos casais que não podem ter filhos - e não podem se permitir uma adoção legal - ou querem assegurar que terão um filho homem optam por acudir a máfias, especialmente nas regiões mais pobres.

"Nas áreas rurais ainda persiste a tradição de que um menino é mais importante. Uma família que não tem pode querer comprar um e, às vezes, inclusive tendo um filho homem querem mais", conta Cheng.

"Além disso, também há gente que utiliza essas crianças roubadas como mendigos e, em alguns lugares muito pobres, as pessoas compram um menino para criá-lo e casá-lo com sua filha quando for maior", relata.

Embora o pai opine que a política do "filho único" não tem muita influência neste fenômeno, o certo é que muitas das famílias compradoras são casais que tiveram uma menina e querem um menino, por isso optam por comprar um para garantir que o segundo filho não vai ser outra mulher.

Na sociedade rural chinesa a filha passa a ser propriedade da família do namorado ao se casar, por isso os pais da menina "perdem" a descendência.

A Baby Come Home é outra iniciativa de pais chineses para lutar contra o desaparecimento de crianças.

A principal atividade da organização, fundada pela mãe Zhang Baoyan, é um site onde são publicadas todos os dias duas dezenas de novas fotos de crianças desaparecidas, pedindo aos leitores que forneçam qualquer informação.

Dos quatro mil casos que publicou na internet, 120 foram resolvidos satisfatoriamente, diz hoje o jornal governista "Global Times".

Esses pais desesperados conseguiram outro grande triunfo nos últimos anos, já que em 2007 foram eles que denunciaram o escândalo do uso de escravos - entre eles muitas crianças - em fábricas de tijolos do norte da China, um caso que comoveu à sociedade chinesa.

Apesar da maior conscientização, os pais das crianças desaparecidas se queixam que ainda encontram dificuldades para avançar em alguns casos, por exemplo, na hora de investigar os orfanatos, onde suspeita-se que muitas crianças podem estar sendo vendidas.

Cheng, por exemplo, nunca pode distribuir folhetos com as fotos das crianças nestes centros.

Ele também tenta sem sucesso que as televisões chinesas criem programas de televisão em que sejam mostradas imagens das crianças perdidas.

No entanto, não se pode afirmar que a Polícia se mostra passiva perante este fenômeno, já que em 2009 e 2010 empreendeu campanhas que detiveram cerca de três mil máfias de tráfico de crianças, com a detenção de 18 mil traficantes, mas dado o enorme número de casos, ainda fica muito por fazer.

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