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26/05/2010 - 20h05 / Atualizada 26/05/2010 - 20h20

Conflito colombiano tem consequências "devastadoras" para civis, diz AI

Londres, 26 mai (EFE).- A Anistia Internacional (AI) afirmou hoje que o conflito armado na Colômbia teve consequências "devastadoras" para a população civil local, apesar de os homicídios causados por forças de segurança terem diminuído em 2009 e os deslocamentos forçados de colombianos tenham aumentado em menor ritmo.

Todas as partes no conflito colombiano - forças de segurança, paramilitares e grupos guerrilheiros - foram responsáveis por graves abusos contra os direitos humanos e violações do direito internacional humanitário, acrescentou a ONG em seu relatório de 2010 divulgado hoje em Londres.

A AI, que visitou em quatro ocasiões a Colômbia no ano passado, denuncia em seu estudo que o país foi palco de deslocamentos e desaparições forçadas, homicídios de civis, violência sexual contra mulheres, posse de reféns, recrutamento obrigatório de menores e ataques indiscriminados contra a população.

Pelo menos 114 indígenas morreram de forma violenta, assim como oito ativistas de direitos humanos e 39 sindicalistas; 286 mil pessoas passaram a engrossar a lista de deslocados internos e foram registrados 213 sequestros, acrescenta o relatório.

Em 2009, também aumentaram os homicídios de membros de grupos sociais marginalizados e povos indígenas, assim como as ameaças contra ativistas dos direitos humanos, segundo a AI.

Foi registrado ainda um "forte aumento" da violência em algumas das maiores cidades colombianas, atribuído ao conflito armado, a crimes relacionados com o narcotráfico e a atos de "limpeza social", afirma a organização.

A AI citou dados da ONG Centro de Pesquisa e Educação Popular para afirmar que no ano passado foram cometeram 184 homicídios - frente a 84 em 2008 - de pessoas pertencentes a grupos sociais marginalizados em zonas urbanas, em sua maioria nas mãos de paramilitares.

Além disso, informou que os grupos paramilitares mantiveram suas atividades criminosas especialmente contra defensores dos direitos humanos e dirigentes comunitários, contra as afirmações do Governo de que abandonaram as armas após o acordo de 2006.

A AI acusa as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de homicídio de civis, recrutamento de crianças e de fazer reféns, assim como de utilizar minas antipessoal, artefatos que causaram a morte de 111 civis e membros das forças de segurança.

Pelo lado positivo, o organismo destaca avanços na investigação da Justiça sobre o escândalo da "parapolítica", pelo qual cerca de 80 membros do Congresso - a maioria de partidos da coalizão governante - estavam supostamente vinculados a grupos paramilitares.

A AI também comentou sobre o aumento das tensões entre o Governo da Colômbia e os de vários países, especialmente Venezuela, pelo acordo militar assinado com os Estados Unidos que permite às forças armadas deste país o uso de sete bases colombianas.

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