UOL Notícias Notícias
 
26/05/2010 - 11h38 / Atualizada 26/05/2010 - 12h04

Sonho de reconciliação coreana fica ainda mais longe

Cecilia Heesook Paek.

Seul, 26 mai (EFE).- A escalada de tensões na península coreana, a pior em décadas para uma das zonas mais militarizadas do mundo, dinamitou o processo de reconciliação entre as duas Coreias, empreendido em 2000 com uma histórica cúpula.

A responsabilidade de Pyongyang no afundamento da corveta sul-coreana "Cheonan" no último 26 de março, negada pelo regime comunista mas considerada provada por Seul e pelos EUA, aumenta o risco de conflito em uma fronteira protegida por mais de 1 milhão de soldados norte-coreanos e 600 mil sul-coreanos.

Essa é a mesma fronteira que, na segunda e histórica cúpula intercoreana de 2007, o então presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun, cruzou a pé como símbolo de uma futura reconciliação de dois povos e que agora parece muito remota.

O certo é que, desde que a Guerra da Coreia (1950-1953) separou a península em um Sul capitalista e um Norte comunista, as duas Coreias acumulam seis décadas de incidentes, dos quais a explosão do "Cheonan", que matou 46 tripulantes, é o mais grave em 23 anos.

No entanto, foi 1987 quando aconteceu o pior ataque da Coreia do Norte ao Sul: uma bomba colocada por espiões norte-coreanos causou a morte dos 115 passageiros de um avião sul-coreano, que explodiu sobre o mar do sudeste asiático.

A origem da atual escalada de tensões na península se encontra no fim da política de mão estendida do Sul que representou a chegada à Presidência do conservador Lee Myung-bak em fevereiro de 2008.

O professor Paik Hak-soon do Instituto Sejong, especializado nas relações intercoreanas, disse hoje à Agência Efe que as tensões "já são estruturais" e perdurarão durante o mandato de Lee, a menos que haja uma mudança em sua política de linha dura para Pyongyang.

A Coreia do Norte anunciou nesta terça-feira a ruptura de todas as relações com a Coreia do Sul em represália ao anúncio de Lee, um dia antes, que suspendia o comércio intercoreano e que levará o caso do "Cheonan" ao Conselho de Segurança da ONU.

Seul optou por uma resposta contundente contra a Coreia do Norte, mas parece se inclinar a uma solução diplomática, que poderia envolver novas sanções ao isolado regime de Kim Jong-il.

Lee retomou a denominação da Coreia do Norte como "principal inimigo", cunhada em 1994 quando Pyongyang ameaçou transformar Seul em um "mar de fogo" depois de Coreia do Sul e EUA retomarem suas manobras militares conjuntas em 1993.

No entanto, seus antecessores no Governo, de tendência progressista, defenderam a reconciliação com a Coreia do Norte e deram passos para isso, abalados por alguns confrontos e incidentes.

A melhora de relações na península se deu em 1998, quando o progressista Kim Dae-jung assumiu a Presidência sul-coreana com sua política para a Coreia do Norte.

Em 2000, Kim Dae-jung celebrou em Pyongyang com Kim Jong-il a primeira cúpula intercoreana, na qual ambos se comprometeram a buscar a reconciliação, diminuir a tensão militar na península e cooperar economicamente.

Embora em 1999 e 2002 tenham ocorrido confrontos armados entre navios dos dois países em sua difusa linha fronteiriça do Mar Amarelo - o Paralelo 38 -, a Coreia do Sul prosseguiu com sua política de aproximação que simboliza o complexo industrial conjunto de Kaesong, situado na Coreia do Norte e ocupado por empresas sul-coreanas.

Este parque industrial foi inaugurado em 2005 sob o mandato de Roh Moo-hyun, que prosseguiu com a política de aproximação impulsionada por seu antecessor, buscando-a sobretudo mediante a cooperação econômica.

Apesar disso, a Coreia do Norte não deixou de elevar as tensões: em 2003 anunciou que possuía armas nucleares com fins militares e três anos mais tarde realizaria seu primeiro teste atômico subterrâneo, que lhe valeu sanções da ONU.

Isso não impediu que o presidente Roh viajasse para Pyongyang em outubro de 2007 para uma segunda cúpula com Kim Jong-il, que concluiu com um apelo conjunto em favor da "paz permanente", já que as duas Coreias estão tecnicamente em guerra - nunca foi assinado um tratado de paz, somente um armistício em 1953.

Pyongyang realizou seu segundo teste nuclear em maio de 2009, num momento em que as duas Coreias já estavam mergulhadas em uma crescente tensão, cujo último episódio foi o afundamento do "Cheonan".

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host