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27/05/2010 - 17h11 / Atualizada 27/05/2010 - 17h13

Esquerda voltará ao poder nas eleições tchecas, dizem pesquisas

Praga, 28 mai (EFE).- A República Tcheca realiza nos próximos dias 28 e 29 eleições para restaurar a normalidade política no país, após mais de um ano de tecnocratas terem substituído os conservadores no Governo em plena Presidência da União Europeia (UE).

O Partido Social-Democrata Tcheco (CSSD), que promoveu em março de 2009 a moção que derrubou o Governo do primeiro-ministro Mirek Topolanek, será, segundo as pesquisas, o vencedor deste pleito com 27% dos votos.

Os sociais-democratas priorizam o plano de campanha na redução do desemprego, que atualmente bate a casa dos 9%, e na luta contra a corrupção e o déficit público.

Após a queda de 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, o país espera sair da recessão neste ano com um crescimento de 1,5%.

As finanças tchecas estão em bom estado, com uma dívida pública de 32% do Produto Interno Bruto (PIB), embora o déficit público tenha subido para 5,9% do PIB, número que Praga quer reduzir neste ano para menos de 5%.

"Queremos que, em 15 anos, a República Tcheca esteja entre as dez primeiras economias da Europa", manifestou na campanha o ex-primeiro-ministro e líder do CSSD, Jiri Paroubek.

No entanto, ainda não se sabe se o eleitorado responderá às inúmeras alianças e pactos feitos pelo Partido Comunista da Boêmia e Morávia (KSCM), que constitui a terceira força da Câmara Baixa e que, segundo as pesquisas, possui 12% de intenções de voto.

Além disso, Paroubek é muito impopular entre os jovens e parte da imprensa, devido ao boicote que impôs a certos meios de comunicação pouco amistosos.

Por sua vez, os conservadores do Partido Cívico Democrático (ODS), que atravessam uma forte crise interna, buscaram transmitir uma mensagem de tranquilidade e apelaram ao voto das famílias.

Segundo a última pesquisa do instituto Stem, o ODS obteria 19% dos votos.

Liderados por Petr Necas, que sucedeu o polêmico Topolanek, os conservadores também insistem na necessidade de controlar as finanças públicas e asseguram que uma possível chegada ao poder da esquerda representaria ao país uma crise semelhante à recente sofrida pela Grécia.

Necas assumiu o comando depois que Topolanek se viu obrigado a renunciar após declarações contra judeus, homossexuais e a Igreja Católica.

O descrédito da classe política entre os cidadãos responde à incapacidade de alguns líderes que não concordam em praticamente nada, o que impede avanços na reforma da saúde e a grande disciplina pendente.

Diante desta separação entre políticos e cidadãos, surgiram novas alternativas, como o conservador liberal partido TOP 09 e o midiático Veci Verejne (Coisa Pública).

Veci Verejne é um partido fundado pelo controverso jornalista investigativo Radek Jon, enquanto o TOP 09 tem na liderança ex-ministro de Exteriores Karel Schwarzenberg.

Ambos os partidos poderiam chegar ao Parlamento com cerca de 10% dos votos, que no entanto, seria insuficiente para formar uma coalizão de centro-direita com o ODS e impedir que Pabourek assuma a chefia do Governo.

Perante o surgimento dessas novas alternativas, o Partido Verde SZ, que fez parte da coalizão de Topolanek, poderia ficar de fora do Parlamento nessas eleições, algo que talvez aconteça também com a União Democrata-Cristã (KDU-CSL).

A estas duas formações, o instituto Stem prevê, respectivamente, 3% e 4% dos votos, quantidade insuficiente para superar o patamar de 5% necessário para participar da distribuição de assentos do Parlamento.

Um dos principais críticos do ambiente político agressivo no país centro-europeu é o ex-presidente e dramaturgo Václav Havel, que critica a "perda de moralidade", assim como um "perigoso materialismo e tecnocracia".

Com as críticas, ele se refere aos crescentes casos de corrupção e à distância entre os cidadãos e os políticos, o que acarreta em uma forte queda na participação eleitoral.

Nas parlamentares de 2006, ainda participaram cerca de 65% do eleitorado, porcentagem que caiu nas eleições regionais de 2008 para 40%.

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