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28/05/2010 - 09h05 / Atualizada 28/05/2010 - 09h57

Aproximação com Venezuela e Equador será desafio do próximo líder da Colômbia

Miriam Burgués.

Bogotá, 28 mai (EFE).- O vencedor das eleições presidenciais na Colômbia, cujo primeiro turno será disputado neste domingo, enfrentará o grande desafio de ganhar a confiança da Venezuela e do Equador para restaurar as deterioradas relações com ambos os países vizinhos.

A situação se apresenta particularmente difícil para o candidato do governista Partido Social da Unidade Nacional, Juan Manuel Santos, já que os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, expressaram suas críticas à possível vitória do ex-ministro da Defesa do atual Governo.

Santos "não só sai de menos zero", mas de um "histórico bastante negativo", o que torna "muito difícil" reconstruir relações "dado o nível profundo de desconfiança para sua figura" tanto no Equador como na Venezuela, disse à Agência Efe a analista política Arlene Beth Tickner, da Universidade de Los Andes.

Essa candidatura despertou a polêmica nos países vizinhos. Para Correa, a vitória de Santos representaria "um problema" para restabelecer as relações bilaterais entre Colômbia e Equador, estagnadas desde março de 2008, também por causa do processo judicial contra ele no Equador.

E Chávez, após qualificar Santos de "ameaça militar" e "peça do império ianque", afirma que não o receberá na Venezuela caso se torne o próximo presidente colombiano.

Segundo a analista Tickner, Santos "tem no caso da Venezuela uma história pessoal complicada" já que há mais de uma década é um "crítico obstinado" de Chávez.

No Equador, a Justiça abriu um processo contra Santos, pelo qual o acusa de indutor do bombardeio de 1º de março de 2008 contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no país vizinho, no qual morreram 26 pessoas, entre elas o então número dois da guerrilha, conhecido como Raúl Reyes.

Santos e o candidato do Partido Verde, Antanas Mockus, com um empate técnico nas últimas pesquisas de intenções de voto, são os favoritos a levarem o pleito ao segundo turno, previsto para 20 de junho.

Na análise de Tickner, se Mockus for eleito presidente, "não partirá de um viés negativo", mas, mesmo assim, considera que uma "rápida aproximação" com a Venezuela "é virtualmente impossível, dado o nível tão agudo de deterioração" nas relações bilaterais.

Na Colômbia, há uma "crescente identificação de Chávez como inimigo", avalia Tickner. Foi-se criando a ideia de que o venezuelano "apoia diretamente as Farc" e poderia até "orquestrar uma invasão" contra a Colômbia, argumentou a analista para justificar que qualquer dos dois candidatos terá dificuldades com a Venezuela.

A visão de Tickner coincide com a da fundação colombiana Progresar, segundo a qual, na última década, 16 mil pessoas foram assassinadas e 1,8 mil desaparecidas na fronteira entre Colômbia e Venezuela.

Segundo essa ONG, o atrito político entre Uribe e Chávez, que "congelou" as relações bilaterais no ano passado, "criou um manto de escuridão" sobre a situação na fronteira comum, onde o tráfico de drogas, o contrabando, a extorsão e o sequestro "são o pão nosso de cada dia".

O comércio foi muito prejudicado, com uma queda de 72% das exportações colombianas à Venezuela no primeiro trimestre de 2010, o que levou o Governo Uribe a fortalecer outros mercados.

Com o Equador, ao qual a Colômbia sempre viu como "um irmão menor", segundo Tickner, o restabelecimento das relações diplomáticas também parece complicado para o próximo presidente porque o "nível de ressentimento" nesse país pelo bombardeio de 2008 continua sendo "profundo", acrescentou.

Apesar do início do diálogo para restaurar os laços entre Quito e Bogotá, a suposta espionagem que os serviços secretos colombianos fizeram sobre diplomatas também complica o cenário, sobretudo depois de o Governo equatoriano pedir à Colômbia um esclarecimento a respeito.

Para Tickner, o próximo presidente deve "adotar explicitamente compromissos muito mais claros de não-intromissão em assuntos internos de outros países" e dar "garantias" de que os EUA não usarão as bases colombianas incluídas no acordo militar assinado em outubro passado para o combate ao narcotráfico e ao terrorismo.

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