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28/05/2010 - 09h40 / Atualizada 28/05/2010 - 09h56

China diz que não defenderá responsáveis por afundamento de navio sul-coreano

Cecilia Heesook Paek.

Seul, 28 mai (EFE).- O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, assegurou hoje, em Seul, que seu país não protegerá os responsáveis pelo afundamento em março da corveta sul-coreana "Cheonan", mas disse que Pequim ainda não concluiu se a Coreia do Norte está por trás do incidente.

Wen, que chegou hoje a Seul em sua primeira visita em três anos, manteve uma longa reunião com o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, e assegurou que a China decidirá "de forma objetiva e justa" sua postura sobre o incidente, que deixou 46 mortos.

Segundo um porta-voz sul-coreano citado pela agência "Yonhap", Wen ressaltou, além disso, que Pequim "respeita" a investigação que culpa o regime comunista de Pyongyang pelo afundamento da corveta, no dia 26 de março, mas ainda não decidiu se aceita suas conclusões.

Na semana passada, uma equipe de especialistas de cinco países revelou em Seul que o "Cheonan" afundou perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte por causa de um torpedo disparado por um submarino pertencente a Pyongyang, que causou uma séria escalada de tensões na península.

Embora Pyongyang negue seu envolvimento, a Coreia do Sul iniciou uma ofensiva diplomática para levar o caso ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Para Seul, a visita de Wen é importante para tentar ganhar o apoio da China, principal aliado do regime de Kim Jong-il e um dos países com direito de veto no Conselho de Segurança.

Até agora Pequim tinha se limitado a considerar o assunto apenas como "altamente complicado" e tinha pedido moderação, calma e diálogo para evitar tensões na península coreana.

O primeiro-ministro chinês reiterou hoje o compromisso de seu país de "manter a paz e a estabilidade na península" e ressaltou que Pequim "se opõe e critica qualquer tentativa de destruí-las".

Para os analistas em Seul, as declarações seguem a linha da China de proteger o equilíbrio e a estabilidade na região, já que, apesar de sua aliança com Kim, para Pequim não é interessante uma escalada de tensões na península, nem que o regime norte-coreano tenha armas nucleares.

O presidente sul-coreano, por sua parte, ressaltou ao primeiro-ministro chinês a necessidade de uma "resposta firme" para levar a Coreia do Norte para a direção "correta" e pediu um papel ativo de Pequim para que Pyongyang reconheça sua culpa.

Antes da reunião bilateral entre Lee e Wen, a Presidência sul-coreana enfatizou que o incidente envolvendo o "Cheonan" não é um problema apenas entre as Coreias, mas internacional, e insistiu em que a diplomacia de Seul trabalhará para que a os norte-coreanos se responsabilizem pelo ocorrido.

Seul já conta com os apoios de Japão e Estados Unidos, cujos líderes, o presidente, Barack Obama, e o primeiro-ministro, Yukio Hatoyama, reafirmaram hoje, em uma conversa pelo telefone, seu apoio à Coreia do Sul.

Os esforços diplomáticos de Seul continuarão este fim de semana durante uma cúpula trilateral entre Coreia do Sul, China e Japão, que será realizada na ilha sul-coreana de Jeju, além de em um fórum de segurança da Ásia, que acontecerá entre 4 e 5 de junho, em Cingapura.

O Governo sul-coreano deve iniciar em breve o processo para apresentar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, segundo fontes oficiais citadas pela "Yonhap".

A Rússia, também aliada de Pyongyang, decidiu, por sua parte, enviar à Coreia do Sul um grupo de especialistas para revisar os resultados da investigação, e se mostrou disposta a unir-se à resposta internacional contra a Coreia do Norte se considerar a informação "fidedigna", sobre seu envolvimento no fato.

O afundamento do "Cheonan" é o incidente naval mais grave entre as duas Coreias, que vivem em estado de guerra técnica desde a Guerra da Coreia, que começou em 1950 e terminou em 1953 com uma trégua em vez de um tratado de paz.

A Coreia do Sul anunciou na segunda-feira o bloqueio do comércio e outras medidas contra seu vizinho do norte, em resposta ao incidente, enquanto Pyongyang respondeu com o anúncio da ruptura de todas as suas relações com Seul.

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