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28/05/2010 - 09h05 / Atualizada 28/05/2010 - 09h57

Colombianos voltam atenção para novas políticas sociais

Roberto Rojas Monroy.

Bogotá, 28 mai (EFE).- A nova agenda proposta pelo candidato do Partido Verde, Antanas Mockus, frente à continuidade defendida pelo governista Juan Manuel Santos, transformou a consciência dos colombianos, que agora se preocupam mais com o emprego, a saúde e a educação, e menos com a segurança.

Após oito anos de Governo Álvaro Uribe, centrados na luta contra as guerrilhas, os colombianos acreditam que seus problemas mais urgentes se tornaram outros, e as prioridades passaram a ser uma reforma ligada ao emprego e ao sistema de saúde.

Neste contexto, Mockus, um matemático e filósofo transformado no fenômeno desta campanha, defende a "legalidade democrática" e a educação sobre a "segurança democrática", bandeira do Governo Uribe, para enfrentar a violência e fazer o país crescer economicamente.

Poucos candidatos trataram estes outros temas durante a campanha, advertiu à Agência Efe Roberto Steiner, diretor da Fundação para a Educação Superior e o Desenvolvimento (Fedesarrollo).

A Colômbia tem uma taxa de desemprego de 13%, a segunda mais alta da América Latina, atrás apenas da República Dominicana, enquanto 60% do emprego é considerado precário, e dessa porcentagem quase a metade com salários abaixo do mínimo (US$ 257,8), alertou Steiner.

O país é ainda um dos mais desiguais do ponto de vista social, com uma pobreza que alcança 45% da população.

Mockus acredita que "o verdadeiro desenvolvimento somente será alcançado com oportunidades que abram espaço a educação, inovação e empreendimento".

Durante sua campanha, prometeu "emprego digno e oportunidades, somado a intensivos processos de educação e formação cidadã", e para isso se baseará no pagamento efetivo de impostos por parte dos que mais têm para financiar o desenvolvimento social das camadas mais baixas da população.

Para Mockus, a superação da pobreza passa pela "luta contra suas causas estruturais: habitação, água potável e tratamento de esgoto, saúde e alimentação".

Já Santos, candidato governista pelo Partido Social da Unidade Nacional e ex-ministro da Defesa de Uribe, defende a continuidade, ou seja, principalmente manter a luta contra as guerrilhas e o narcotráfico.

Mas também lançou propostas sociais, que vão desde a manutenção dos subsídios às famílias mais pobres até programas para assegurar a aposentadoria e a saúde, assim como alimentação e transporte para os estudantes mais necessitados.

O doutor em Ciência Política e mestre em Política Social Alejo Vargas, da Universidade Nacional da Colômbia, assinalou à Agência Efe que o desafio do próximo presidente é fazer frente às "brechas fiscais muito fortes" deixadas por Uribe, pelos "compromissos de obras públicas futuras".

Outro dos principais desafios é combater a corrupção, o que, para Vargas, é "um dos fatores que explicam o 'fenômeno Mockus', fruto da rejeição das classes média e alta às práticas corruptas".

O analista disse que Uribe pôs em prática "uma política social muito paternalista", e denunciou que os subsídios que seu Governo aprovou para pequenos agricultores terminaram nas mãos de grandes latifundiários, em alusão a um escândalo que revelou que famílias proeminentes se beneficiaram desses fundos.

Por isso, Vargas acredita que o novo presidente colombiano será forçado pela população a gerar mais emprego e a reduzir a desigualdade social.

Com um empate técnico entre Mockus e Santos no primeiro turno, segundo as pesquisas de intenção de voto, os analistas não arriscam um palpite sobre o nome do futuro presidente, e indicam que estas são as eleições mais atípicas dos últimos anos na Colômbia.

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