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29/05/2010 - 17h46 / Atualizada 29/05/2010 - 17h51

Aliança de Civilizações se torna "mais global" com debates sobre A.Latina

Rio de Janeiro, 29 mai (EFE).- O III Fórum da Aliança de Civilizações terminou hoje no Rio de Janeiro inserido em uma nova dimensão global por ter integrado as perspectivas da América Latina na iniciativa das Nações Unidas.

"Este foi o primeiro fórum fora da zona do euro e da mediterrânea, o que serve para reafirmar a vocação da aliança e lhe confere um perfil mais global", afirmou hoje, no encerramento do fórum, o alto representante da ONU para a Aliança de Civilizações, o ex-presidente de Portugal Jorge Sampaio.

Os dois dias de debates contaram com a participação de nove chefes de Estado e de Governo, entre eles vários latino-americanos como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; a da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner; o da Bolívia, Evo Morales, e o primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive.

Os governantes apresentaram novas dimensões aos problemas entre as diferentes culturas, e chamaram a atenção para questões que afetam a região, como a emigração ou o respeito aos povos indígenas.

Além da inclusão da América Latina no debate, Sampaio lembrou que fica um "grande desafio pela frente" para o fórum, que, segundo ele, serve para "percorrer os caminhos da equidade, do pluralismo e da democracia".

Turquia e Espanha, os dois países que impulsionaram a Aliança de Civilizações, reafirmaram seu apoio à iniciativa e comemoraram a rápida evolução do fórum nos últimos anos.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, defendeu o reforço do diálogo entre as culturas, como pedra fundamental para "estabelecer uma nova ordem política".

"Na questão palestina, central na agenda de hoje, somente se houver compreensão mútua entre os diferentes grupos palestinos e israelenses (...) poderá haver uma solução", disse Davutoglu, em seu discurso de encerramento.

No mesmo sentido, o ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, afirmou que o mundo só poderá mudar se seguir iniciativas com a "capacidade de mudar mentalidades" e que promovam o diálogo com respeito ao outro.

"O mundo não mudará e não acreditamos que possa mudar se estivermos voltados para o pessimismo permanente", afirmou Moratinos em seu discurso, no qual considerou que esta mensagem foi transmitida "com força" no fórum.

O encontro reuniu cerca de 7 mil participantes de 100 países, que debateram em diversas reuniões as raízes dos conflitos mundiais entre as diferentes culturas e como chegar a uma solução para os problemas por meio do diálogo.

Entre os debates realizados hoje, teve destaque uma sessão especial sobre o Haiti, na qual Bellerive lembrou as "barreiras" enfrentadas por seu país para se integrar com o restante da América Latina por suas diferenças religiosas, linguísticas e culturais.

O líder, no entanto, foi otimista e considerou que a onda de solidariedade internacional com o país desde o terremoto que devastou o Haiti no dia 12 de janeiro pode se tornar uma "ponte" para acelerar sua integração e servir para "colocar o Haiti no caminho do desenvolvimento".

A crise entre o ocidente e o Irã por seu programa nuclear foi o centro de grande parte dos debates, sobretudo na sessão inaugural.

Lula, anfitrião da reunião, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, voltaram a defender o diálogo e pediram um voto de confiança para o Governo de Teerã, com quem assinaram um acordo de troca nuclear há duas semanas.

O IV Fórum da Aliança de Civilizações será realizado em Doha, capital do Catar.

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