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31/05/2010 - 16h51 / Atualizada 31/05/2010 - 16h55

Após ataque, Israel é alvo de condenações e críticas pelo mundo

Jerusalém, 31 mai (EFE).- O Exército israelense matou hoje pelo menos nove ativistas de direitos humanos ao abordar, supostamente em águas internacionais, uma frota de navios que levaria ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

As trágicas consequências do ataque desencadearam uma onda de protestos e condenações na comunidade internacional, e obrigaram o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a suspender a reunião que teria amanhã em Washington com o presidente Barack Obama, retornando a Israel.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto em resposta ao ataque, que qualificou de "massacre".

"Os mortos chegam a nove", disse por telefone à Agência Efe um porta-voz militar, que não quis dar detalhes sobre a identidade e a nacionalidade dos mortos.

Organizações humanitárias elevam, no entanto, a 14 o número de mortos. Já os feridos, vários em estado grave, chegam a 38 ativistas internacionais e cinco soldados israelenses, segundo diversas fontes.

Israel levou ao porto de Ashdod, ao sul de Tel Aviv, todas as embarcações da frota e seus passageiros em condição de detidos, mesmo com alguns resistindo a se entregar.

O ataque à frota, formada por seis embarcações com mais de 750 ativistas de 60 nacionalidades e uma carga de 10 mil toneladas de ajuda humanitária para a população da Faixa, aconteceu antes do amanhecer.

Por volta das 4h (22h, Brasília), dois helicópteros do Exército israelense com comandos de uma unidade de elite posaram, um atrás do outro, sobre o teto da embarcação Mavi Marmara, cujos passageiros eram em sua maioria turcos.

Um canal árabe transmitiu imagens ao vivo desde o momento em que o navio perdeu o sinal e, a partir de então, foi impossível entrar em contato com os que estavam a bordo, já que seus aparelhos eletrônicos foram apreendidos por Israel.

Testemunhas ouvidas nos primeiros momentos do ataque falaram que os comandos desceram dos helicópteros já atirando, o que gerou um banho de sangue.

A versão do Exército israelense é de que um grupo violento de ativistas recebeu os comandos com bombas de efeito moral, navalhas e outras armas, ferindo dois soldados.

"Em um determinado momento, os equipamentos antimotim dos comandos não eram suficientes para o cenário em que se encontravam", explicou o chefe do Exército, Gabi Ashkenazi, em entrevista coletiva em Tel Aviv.

O alto comando do Exército disse que os homens abriram fogo depois que os ativistas dispararam com duas pistolas.

Israel preparava há dias a abordagem à frota para fazer valer o bloqueio por terra, mar e ar imposto a Gaza há três anos.

Desde então, Israel impede o livre acesso de bens de consumo, materiais de construção e todo tipo de produtos básicos e remédios, o que impulsionava a ação humanitária da frota de navios.

O chefe de Governo em Gaza, Ismail Haniyeh, qualificou o ataque como "brutal" e pediu à comunidade internacional que ponha fim "ao maior país de piratas".

A abordagem da frota gerou também uma onda de condenações e protestos dentro de Israel, onde a Polícia está em estado de alerta em Jerusalém Oriental (de maioria palestina) em vários centros urbanos de maioria árabe como Yafo, Akko e Wadi Ara.

A crise diplomática com a Turquia, as condenações internacionais e o temor a distúrbios por parte dos palestinos levaram Netanyahu a encurtar a visita que fazia ao Canadá e a cancelar a reunião que realizaria amanhã na Casa Branca com Obama.

Após a suspensão da reunião de Obama e Netanyahu, as consequências que o ataque israelense de hoje pode ter sobre a negociação indireta pela paz entre palestinos e israelenses seguem incertas.

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