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31/05/2010 - 18h49 / Atualizada 31/05/2010 - 18h51

OEA e Segib apoiam pedido da Cepal de fortalecimento do papel do Estado

Eduardo Davis.

Brasília, 31 mai (EFE).- A Organização dos Estado Americanos (OEA) e a Secretaria-Geral Ibero-americana (Segib) apoiaram hoje a Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), que propõe fortalecer o papel do Estado na América Latina, como promotor de igualdade social e contra as crises financeiras.

No segundo dia do 33º período de sessões da Cepal, a iniciativa também foi apoiada pelo ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que elogiou a "ruptura" que isso representa, com o "lema de mais liberalização, desregulação e privatização", que há dez anos pede para a região.

A proposta da Cepal faz parte de um documento apresentado em Brasília como "uma agenda para a igualdade", sobre a base de uma "nova equação" entre o Estado, o mercado e a sociedade.

A secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, propôs "mais Estado, um melhor mercado, com normas muito claras e uma maior participação plena da sociedade" nas decisões para fechar a enorme brecha social na América Latina e no Caribe.

O secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, disse hoje que a Cepal traçou "uma carta de navegação para buscar um novo modelo", por meio do qual América Latina e Caribe podem avançar no combate à pobreza e superar sua condição de meros exportadores de matérias-primas.

A mesma opinião foi expressada pelo secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, que qualificou o documento de "manifesto político" e propôs incorporá-lo às agendas dos organismos multilaterais da região.

Iglesias alertou que a crise financeira atual "durará muito mais do que alguns pensam" e previu que provocará uma "complexa redistribuição" do poder mundial.

O titular da Segib disse saber "como a crise começou, que vai durar muito mais do que muitos pensam e também que abre um longo processo de incerteza".

A crise que teve origem em 2008 nos Estados Unidos e a que afeta a Europa agora "têm um ponto de chegada, que nos encontrará com novos atores, uma nova sociedade e um novo sistema de relações mundiais", que podem representar "a maior mudança de poder ocorrida em séculos", afirmou.

Iglesias afirmou que desse processo dependerá o "novo modelo" social, econômico e político que se imporá no mundo, que "possivelmente" terá um "polo de poder asiático" e será "um grande desafio à governabilidade mundial".

Segundo Iglesias, a nova ordem pode "ser uma oportunidade" para que a América Latina busque outras formas de inserção na economia e na política do mundo, mas esclareceu que isso "não será de graça".

Para isso, o novo modelo de desenvolvimento regional deverá enfatizar a inclusão, melhoras da produtividade e da competitividade e "os valores éticos" da justiça social.

No segundo dia de conferência, foi transmitida uma mensagem gravada pelo presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, que iria à reunião da Cepal, mas se ausentou por causa dos preparativos da Cúpula Mundial sobre o Futuro do Haiti, que será realizada em Santo Domingo.

Fernández apoiou a tese da Cepal, mas alertou que os esforços mundiais para aplicar regulações mais firmes aos mercados devem ser medidos e disse que é preciso buscar um "equilíbrio", e não fechar o caminho para as liberdades econômicas.

"Também não se pode cair em excessos de regulação", afirmou.

Segundo Fernández, uma das lições deixadas pela crise é a de que é necessário "humanizar a globalização", que, apesar de suas vantagens, também "teve efeitos nocivos sobre boa parte da população mundial".

O 33º período de sessões da Cepal termina amanhã e será encerrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que liderará uma conferência sobre o papel do Estado na economia e como fator de transformação social.

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