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01/06/2010 - 04h44 / Atualizada 01/06/2010 - 04h58

Conselho de Segurança pede investigação imparcial após ataque israelense

Elena Moreno Nações Unidas, 1 jun (EFE).- O Conselho de Segurança da ONU recomendou nesta terça-feira que seja realizada uma investigação imparcial e credível sobre o ataque militar israelense a uma frota de navios que levava ajuda humanitária a Gaza, enquanto condenou os "atos de força" que causaram pelo menos nove mortes, deixando dezenas de feridos.

Os membros do Conselho de Segurança negociaram durante quase treze horas uma forma de expressar sua preocupação perante a gravidade de uma operação militar de Israel, duramente criticada pela comunidade internacional e que põe em perigo o incipiente reatamento de conversas de paz indiretas entre palestinos e israelenses.

"O Conselho de Segurança toma nota da declaração do secretário-geral da ONU (Ban Ki-moon) pedindo uma completa investigação sobre o caso, e deseja que seja rápida, imparcial, credível e transparente, de acordo com os padrões internacionais", leu o novo presidente rotativo do órgão, o embaixador do México na ONU, Claude Heller.

O Conselho iniciou suas reuniões na segunda-feira por volta das 14h (de Brasília) a pedido da Turquia e do Líbano, país que exercia a Presidência até o fim do dia na segunda-feira, quando o México tomou o bastão para o mês de junho.

Os países aprovaram assim uma declaração presidencial que tem uma categoria inferior à resolução de condenação solicitada por turcos, palestinos e países árabes, e cujo consenso ficou entre as posições dos Estados Unidos e Turquia, de onde procediam as embarcações e país de origem da maioria dos mortos no incidente.

"É uma declaração aprovada pelo Conselho durante uma sessão formal, e é um pronunciamento em termos taxativos e contundentes" sobre o incidente, disse Heller, ao término da reunião.

Heller ressaltou que no texto "há uma condenação dos atos de força e é reiterada a importância de que Israel liberte os detidos, devolva os navios a seus donos e entregue a ajuda humanitária ao povo palestino".

Em meio às longas negociações, desapareceu um dos parágrafos estudados em um das minutas, no qual a ONU orientava a Israel a cumprir com as obrigações derivadas das leis internacionais e humanitárias.

"Estamos convencidos de que Israel pode realizar uma investigação rápida, imparcial e transparente", disse ao término da reunião o embaixador adjunto dos EUA, Alejandro Wolff.

"Turquia, Líbano e nós, palestinos, ficaríamos mais satisfeitos caso houvesse uma linguagem mais forte, mas são 15 membros no Conselho, e o consenso foi possível apesar de diferentes opiniões", disse o representante palestino perante a ONU, Riad Mansour.

Mansour afirmou também que espera que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que após o incidente pediu uma investigação completa, "nomeie especialistas que realizem a investigação, como fez em outras ocasiões".

Anteriormente, o embaixador adjunto de Israel perante a ONU, Daniel Carmon, assegurou que a chamada "Frota da Liberdade" queria romper o bloqueio marítimo contra Gaza e que seus ativistas atacaram os soldados, que responderam em "defesa própria".

A declaração aprovada pelos 15 membros nas duas primeiras horas da Presidência mexicana do Conselho vincula o incidente com as negociações de paz do Oriente Médio e com a situação de Gaza, que é qualificada como "não sustentável".

Também ressalta sua grave preocupação pela situação humanitária na faixa.

O incidente dificulta ainda mais as já complexas negociações de paz entre israelenses e palestinos, enquanto isola mais o Governo de Israel e põe em situação muito difícil as relações entre israelenses e turcos, estabelecidas em 1996 e até agora consideradas estratégicas por ambos.

As críticas a Israel pelo excessivo uso de força no ataque à frota, que transportava dez mil toneladas de ajuda humanitária e cerca de 700 pessoas, cresceram em toda a comunidade internacional, que também pediu o fim do bloqueio a Gaza e o reatamento das negociações de paz entre israelenses e palestinos.

O Conselho de Segurança ressaltou que "a única solução viável ao conflito palestino-israelense é um acordo negociado entre as partes, com o estabelecimento definitivo de dois Estados, um deles um Estado palestino independente e viável, vivendo em paz e segurança com Israel e outros vizinhos".

Além disso, o órgão expressou sua preocupação pelo incidente ter acontecido quando estão sendo preparadas conversas de paz entre palestinos e israelenses, por isso pediu às partes para "atuarem com contenção" e pediu que evitem "qualquer ação provocativa e unilateral".

Também pediu à comunidade internacional para promover uma atmosfera de cooperação entre as partes e em toda a região.

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