UOL Notícias Notícias
 
01/06/2010 - 06h54 / Atualizada 01/06/2010 - 10h49

Israel diz que condenação da ONU a ataque é "hipócrita"


Em Jerusalém

Israel tachou de "hipócrita" a condenação do Conselho de Segurança da ONU aos atos violentos que deixaram pelo menos nove mortes e causaram ferimentos em dezenas de pessoas no ataque israelense à frota internacional que levava ajuda humanitária a Gaza.

A condenação da ONU é "precipitada, sequer houve um tempo de reflexão para considerar todos os fatos", disse à agência EFE Yigal Palmor, porta-voz do Ministério de Exteriores israelense.

"Esta condenação constitui um gesto automático baseado unicamente em determinadas imagens televisivas e não em um conhecimento dos fatos, além de uma dose impressionante de hipocrisia", acrescentou Palmor.

O porta-voz israelense explicou que cerca de 50 passageiros dos navios se identificaram e estão no aeroporto de Ben Gurion, próximo a Tel Aviv, à espera de um voo para seus países de origem, enquanto os que se negam a dar informações foram levados à prisão de Bersheva.

Em respeito às queixas pela falta de informação sobre a identidade das nove pessoas mortas durante o ataque, que aconteceu na madrugada de segunda-feira em águas internacionais, Palmor afirma que o maior problema é a intransigência da maioria dos detidos, que se nega a identificá-los.

"Como vamos saber a nacionalidade dos mortos se não temos alguma pessoa para os identificar? É muito difícil identificar alguém morto, que não pode responder, quando seus amigos se negam a dar qualquer informação", declarou.

Palmor acrescentou que os cônsules dos países dos ativistas que se identificaram foram informados e tiveram acesso a eles.

O porta-voz lamentou o efeito que o incidente de ontem terá na imagem exterior de Israel.

"Explicar de forma detalhada tudo o que aconteceu é muito difícil, a imprensa e as pessoas só veem o resultado e não conhecem as circunstâncias e isto afeta a imagem (do país)", lamentou.

O Conselho de Segurança da ONU pediu a realização de uma investigação imparcial e crível dos fatos e condenou os "atos de força" que provocaram mortes e deixaram feridos, mas evitou condenar Israel de forma aberta.

Os membros do Conselho de Segurança negociaram durante quase 13 horas a fórmula para expressar sua preocupação perante a gravidade da operação militar israelense, que foi criticada com dureza pela comunidade internacional, e foi aprovada uma declaração presidencial, que tem uma categoria inferior à resolução de condenação solicitada por turcos, palestinos e países árabes.

 

  • UOL Arte, com informações de witnessgaza.com

Entenda o ataque

A Marinha de Israel atacou nesta segunda-feira (31) uma frota de seis embarcações com ativistas pró-palestinos que tentavam furar o bloqueio à faixa de Gaza e entregar suprimentos à região. O ataque deixou no mínimo nove mortos.

Brasileira na frota

  • A cineasta Iara Lee, que estava no comboio humanitário atacado em Israel nesta segunda-feira

Segundo ativistas, os barcos estavam em águas internacionais, a mais de 60 quilômetros da costa.

Os barcos, organizados pela ONG Free Gaza, levavam 750 ativistas e cerca de 10 mil toneladas de suprimentos para a faixa de Gaza.

Imagens da TV turca feitas a bordo do barco turco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros.

As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A TV árabe Al-Jazeera relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão.

A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: "Todo mundo cale a boca!".

A frota de seis embarcações havia deixado as águas internacionais próximo à costa do Chipre no domingo (30) e pretendia chegar a Gaza nesta segunda-feira (31).

Israel havia dito que bloquearia a passagem dos barcos e classificou a campanha de "uma provocação com o intuito de deslegitimar Israel".

O porta-voz do Exército israelense, general Avi Benayahu, afirmou que o ataque contra a frota humanitária pró-palestina aconteceu em águas internacionais.

"O comando agiu em alto mar entre 4h30 e 5h, horário local, a uma distância de 70 a 80 milhas (130 a 150 km) de nossa costa", afirmou o general à rádio pública.

* Com informações da EFE e das agências internacionais

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,16
    4,193
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h22

    0,47
    106.556,88
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host