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04/06/2010 - 08h14 / Atualizada 04/06/2010 - 08h29

Eleições e desconfiança devem complicar no Governo japonês

Patricia Souza.

Tóquio, 4 jun (EFE).- Naoto Kan foi escolhido hoje pelo Parlamento novo primeiro-ministro do Japão, para um mandato possivelmente complicado pela proximidade de eleições importantes e pela desconfiança do povo com a classe governante.

O político, de 63 anos, ministro das Finanças e número dois do antigo Governo, foi recebido com apoio de 25% dos japoneses em pesquisas, porcentual baixo mais ainda acima dos 17% dados na quarta-feira a seu antecessor, Yukio Hatoyama.

Kan, que ao contrário de seus oito antecessores não pertence a uma dinastia política famosa, é um veterano legislador com passado socialista, que participou em 1998 da fundação do governante Partido Democrático (PD).

Ele foi o único dos medalhões de seu partido a dar um passo à frente para suceder Hatoyama, que em oito meses e meio no cargo praticamente acabou com o forte apoio popular conseguido nas urnas em 30 de agosto, quando obteve 68% dos votos.

Para meados de julho estão previstas novas eleições para renovar a metade da câmara alta (242 cadeiras). Uma eventual derrota do PD deixaria Kan em uma situação muito complicada, especialmente dois meses antes de a liderança de seu partido precisar ser renovada.

Sua escolha hoje como presidente do Partido Democrático e, horas depois, como primeiro-ministro deu seguimento ao que virou rotina no Japão, país que em menos de quatro anos já apresentou ao mundo cinco chefes de Governo.

Kan foi eleito primeiro-ministro com apoio sólido no Parlamento. Sua nomeação oficial, no entanto, deverá esperar até que forme Governo, possivelmente na próxima semana, e seja empossado em cerimônia no Palácio Imperial.

O atraso deixa no ar por alguns dias a agenda diplomática da segunda maior economia do mundo, que não enviou hoje um ministro à cúpula do G20 (nações mais ricas e principais emergentes) na Coreia do Sul e não receberá nesta segunda-feira o presidente boliviano, Evo Morales, como estava previsto.

Para seu mandato, Naoto Kan prometeu continuar as políticas de Hatoyama na cena externa e uma maior disciplina fiscal para o Japão, país desenvolvido com a maior dívida pública do mundo.

Kan defende a aproximação à China, a criação de uma comunidade econômica no leste da Ásia inspirada na europeia e a manutenção da aliança estratégica do Japão com os Estados Unidos, abalada pela polêmica sobre uma base militar americana em Okinawa, que precipitou a queda de Hatoyama.

Seguirão vigentes também os desafios ambientais de seu antecessor, como a meta de reduzir até 2020 em 25% a emissão de gases causadores do efeito estufa na comparação com os níveis de 1990, e seu compromisso de diminuir o poder da burocracia.

Faltando a designação dos ministros, a priori é uma incógnita determinar o poder que terá sobre o novo Governo o influente Ichiro Ozawa, secretário-geral do PD e apontado por membros de seu partido como o responsável pela queda de Hatoyama.

Destacados ministros, como o de Assuntos Exteriores, Katsuya Okada, condicionaram seu apoio a Kan à neutralização política de Ozawa, e as primeiras medidas tomadas pelo primeiro-ministro eleito parecem ir nesse sentido.

Como porta-voz de seu Governo, o novo premiê escolheu Yoshito Sengoku, um conhecido crítico de Ozawa, para transmitir a impressão de que a antiga era da política japonesa acabou.

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