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04/06/2010 - 03h56 / Atualizada 04/06/2010 - 07h01

Naoto Kan: um temperamental veterano à frente do Japão

  • O ministro das Finanças japonês, Naoto Kan (centro), entra em seu carro em Tóquio

    O ministro das Finanças japonês, Naoto Kan (centro), entra em seu carro em Tóquio

Naoto Kan, novo primeiro-ministro do Japão, é um dos fundadores do Partido Democrático (PD), um político temperamental e experiente que chega à chefia do Governo de forma inesperada pela queda de Yukio Hatoyama.

Conhecido por seu temperamento irascível e seu caráter decidido, Kan, de 63 anos, acumulava até agora os cargos de vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, e é um dos pesos pesados de seu partido, pelo qual foi candidato a primeiro-ministro em 2003, quando foi derrotado por Junichiro Koizumi.

Era quase certo que seus companheiros no PD e posteriormente a Dieta (Parlamento) nomeariam Kan como segundo chefe do partido em menos de um ano, mas o primeiro desde 1994 que não pertence a uma famosa dinastia política.

A queda de Hatoyama como primeiro-ministro e de Ichiro Ozawa como secretário-geral do PD o fizeram sucessor à frente do governo do Governo japonês, apoiado pela grande maioria dos homens fortes de seu partido e perante a falta de candidatos alternativos.

Pelas mãos de Hatoyama, se tornou seu "número dois" em setembro de 2009 após a histórica vitória do PD, que encerrou mais de meio século de hegemonia do conservador Partido Liberal-Democrata (PLD), que foi liderado por Koizumi.

Kan é filho de um empresário da província de Yamaguchi, no sudoeste do país, e é um dos poucos políticos influentes do Japão que não fez carreira política apoiado por uma linhagem com conjunto de raízes no poder, como foram os casos de Koizumi e Hatoyama.

Assim como o agora desacreditado Hatoyama, Kan se opõe ao Estado burocratizado, herança do PLD, e é propício a realizar uma reforma tributária que diminua o déficit fiscal e a dívida pública da segunda economia mundial.

Quando substituiu Hirohisa Fujii à frente da pasta de Finanças, em janeiro, muitos criticaram sua falta de experiência nos assuntos econômicos, algo que superou, mantendo postura constante a favor de sanear as contas como objetivo primordial.

Kan se mostra favorável a um iene menos valorizado frente ao dólar, assim como ao aumento do imposto sobre o consumo acima de 5% para melhorar a saúde fiscal do país.

Além disso, se opôs ao desdobramento de tropas japonesas no Iraque, enquanto advoga por um maior papel das Forças de Autodefesa do Japão em missões humanitárias.

Sua chegada ao poder pode representar uma mudança essencial em algumas das políticas apoiadas por Hatoyama, como dar marcha à ré à privatização do serviço dos correios (Japan Post), a maior caixa econômica do país.

O tema pode colocar-lhe contra Shizuka Kamei, ministro de Assuntos Financeiros, encarregado de frear o plano de privatização postal iniciado por Junichiro Koizumi e membro da coalizão de Governo, que já perdeu os social-democratas.

O início da carreira de Kan na política foi muito ligado a movimentos civis, especialmente em assuntos relacionados com o meio ambiente, graças ao qual conseguiu seu primeiro assento na Câmara Baixa em 1980, como membro de um extinto partido de ideais socialistas.

O agora primeiro-ministro se tornou conhecido em 1996, quando era ministro da Saúde e trouxe à tona um escândalo sobre os erros do Governo para prevenir o contágio do vírus HIV em transfusões de sangue.

Casado e com dois filhos, Kan gosta de submarinos, escreveu um livro intitulado "Dai-jin (ministro)" e peregrinou à rota de templos budistas de Shikoku.

Naoto Kan, eleito nesta sexta-feira líder de seu partido, já foi presidente do PD em 1998, logo que a formação foi criada, mas se viu obrigado a renunciar por uma relação extraconjugal com uma apresentadora de televisão.

Voltou à frente da legenda em 2003. Entretanto, em 2004, foi obrigado a renunciar de novo como líder do PD por um escândalo na falta de pagamento de suas contribuições ao sistema de previdência. Entretanto, como político, não se envolveu em escândalos de financiamento ilegal como Ichiro Ozawa.

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