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04/06/2010 - 13h03 / Atualizada 04/06/2010 - 13h04

Último navio do comboio humanitário segue para Gaza

Alberto Masegosa.

Jerusalém, 4 jun (EFE).- O cargueiro irlandês "Rachel Corrie", o último navio do comboio humanitário, seguia hoje para Gaza e na primeira hora da tarde navegava a 150 milhas da faixa palestina, segundo um dos grupos que organiza a expedição.

Em comunicado enviado à Agência Efe a partir do Chipre, a porta-voz da organização "Free Gaza", Greta Berlin, afirma que a tripulação do navio não tem intenção de desembarcar no porto israelense de Ashdod, como quer Israel, mas na faixa palestina.

No texto diz que o navio "chegará neste sábado a Gaza".

O comunicado detalha que a embarcação ainda navegava por águas internacionais e não tinha chegado à região de exclusão marítima israelense, e que a comunicação entre o navio e base no Chipre é "bastante difícil e às vezes até impossível".

De acordo com o texto, o "Rachel Corrie" transporta 1,2 mil toneladas de ajuda humanitária para a população da faixa palestina, e entre os passageiros está a pacifista norte-irlandesa e prêmio Nobel da Paz Mairead Maguire e um ex-subsecretário-geral das Nações Unidas de nacionalidade irlandesa, Denis Halliday.

O comunicado destaca ainda a presença a bordo do navio do ativista malaio Matthias Chang Wen Chieh, quem foi assessor para assuntos políticos do ex-primeiro-ministro da Malásia Mahathir Mohamed.

"Free Gaza" divulgou o comunicado depois que fontes diplomáticas israelenses afirmaram nesta manhã que Israel mantinha contato para que o navio descarregasse a ajuda humanitária no porto israelense de Ashdod e desistisse de chegar à faixa palestina.

Israel advertiu que impedirá a chegada do "Rachel Corrie" a Gaza, como fez na segunda-feira com os outros navios do comboio.

O Exército israelense atacou na segunda-feira os outros seis navios com ajuda humanitária e matou nove ativistas turcos (um deles com dupla nacionalidade turco-americana) que viajavam em uma das embarcações, a "Mavi Marmara".

Na abordagem, em águas internacionais, ainda ficaram feridos dezenas de ativistas, na maioria cidadãos turcos.

Pouco depois que "Free Gaza" divulgasse o comunicado em que detalhou que o "Rachel Corrie" navegava a 150 milhas de Gaza, a diplomacia israelense distribuiu uma declaração na qual afirma que "não querem o enfrentamento, só querem abordar o navio".

Na declaração, assinada pelo diretor-geral do Ministério de Exteriores israelense, Yossi Gal, adverte que Israel "está preparado para receber o navio".

Também disseram que "se o navio decidir atracar em Ashdod, garantimos o desembarque (dos passageiros) seguro".

E inclui uma oferta; "após uma inspeção para assegurar que não inclui material bélico, nos comprometemos a levar a mercadoria a Gaza. Representantes do navio e das ONGs seriam bem-vindos para acompanhar a transferência da carregamento".

Na declaração não há referência, no entanto, a nenhum resultado das gestões diplomáticas para que o navio atraque em Ashdod.

A sangrenta abordagem militar da segunda-feira representou o maior massacre de ativistas internacionais cometido pelo Estado de Israel em mais de seis décadas de existência e as autoridades israelenses o justificaram com o argumento de que alguns integrantes do comboio humanitário têm conexões com redes terroristas.

Além de levar ajuda a Gaza, a frota tinha a intenção política de romper o bloqueio de Israel sobre a faixa que desde há três anos é controlada pelo movimento islamita Hamas.

Desde então, 1,5 milhão de pessoas que vivem em Gaza sofrem uma grave situação humanitária devido ao bloqueio de Israel.

O "Rachel Corrie", que se distanciou das demais embarcações com ajuda humanitária por problemas técnicos, tem o nome carregado de simbolismo. Rachel Corrie era uma ativista americana que em 2003 foi esmagada em Gaza por uma escavadeira militar israelense quando, segundo testemunhos da imprensa, exercia papel de "escudo humano".

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