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06/06/2010 - 19h39 / Atualizada 06/06/2010 - 20h53

Netanyahu rejeita comissão internacional para investigar ataque à "frota da liberdade"

Elías L. Benarroch

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não aceitou a proposta do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, de criar uma comissão internacional que investigue o ataque à frota que levava ajuda internacional à Faixa de Gaza e que resultou na morte de nove ativistas.

Entenda o caso

Na madrugada da última segunda-feira (31), cerca de 700 ativistas (incluindo uma brasileira) tentaram furar o bloqueio naval imposto por Israel e Egito a Gaza há 3 anos, quando o grupo extremista Hamas chegou ao poder.
Os militantes (turcos na maioria) levavam no comboio 10 mil toneladas de ajuda humanitária quando foram atacados por militares israelenses em águas internacionais. Nove ativistas morreram. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirma que a frota com ajuda humanitária fazia parte de uma “operação terrorista".
Diversos países condenaram os ataques, suavizados pelos EUA, aliados históricos de Israel. Mesmo assim, a ONU obteve apoio para criar uma comissão independente para apurar as agressões.

"Disse ao secretário-geral da ONU que a investigação dos fatos deve ser conduzida de forma responsável e objetiva e que estamos buscando outras alternativas", explicou Netanyahu aos ministros do Governo de coalizão que militam em seu partido, o Likud.

O primeiro-ministro respondeu assim às informações divulgadas hoje pela imprensa de que tinha dado seu consentimento à ONU para que investigasse os fatos através de uma comissão presidida pelo ex-primeiro-ministro da Nova Zelândia Geoffrey Palmer, especialista em Direito Marítimo.

A comissão deve incluir também especialistas americanos, um representante turco e outro israelense a fim de preservar a maior objetividade e transparência possível.

A postura de Israel será analisada hoje à noite por uma comissão formada pelos sete ministros mais destacados do Governo, na qual o primeiro-ministro costuma impor sua vontade, sobretudo quando conta, como neste caso, com o apoio do titular da pasta da Defesa, Ehud Barak.

A reunião terminou após quatro horas sem que o Governo israelense tenha chegado a nenhuma decisão, além de que deve seguir estudando o caso amanhã.

O Escritório do primeiro-ministro comunicou que Netanyahu falou esta noite com o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden; o presidente francês, Nicolas Sarkozy; o enviado do Quarteto para o Oriente Médio, Tony Blair, e os primeiros-ministros do Canadá, Geórgia, Bulgária e Grécia em uma rodada telefônica para explicar a postura de Israel sobre o bloqueio a Gaza.

"Israel atuou no caso como teria feito qualquer Governo cujo país é atacado por milhares de foguetes e mísseis e se reserva o direito à legítima defesa", disse.

Antes de se reunir com os ministros, o embaixador israelense em Washington, Michael Oren, tinha assegurado à rede "Fox" que o país rejeita uma "investigação internacional". "Estamos tratando com a Administração do presidente americano Barack Obama a forma como será realizada nossa própria investigação", acrescentou.

"Na conversa com Ban lhe comuniquei toda a informação que temos sobre a conduta dos membros do grupo extremista turco (o IHH, organizador da frota) que apoia o terrorismo", acrescentou Netanyahu.

O ataque do exército israelense ao navio "Mavi Marmara" na segunda-feira, que fazia parte da frota que se dirigia a Gaza com ajuda humanitária e a intenção declarada de romper o bloqueio israelense à faixa, resultou na morte de nove ativistas turcos.

Israel sustenta que o grupo de ativistas que atacaram os militares que interceptaram o navio não subiram com o resto dos passageiros, mas em outro porto, por isso não se submeteram às revisões de segurança e levavam armas brancas.

"Este grupo hostil tinha a clara intenção de iniciar um enfrentamento violento", denunciou Netanyahu na reunião do Governo.

O Exército israelense informou esta noite que achou provas sobre as supostas relações entre pelo menos cinco dos ativistas e o movimento muçulmano Hamas, de um lado, e a rede Al Qaeda, do outro.

A rejeição de Israel à comissão é uma bofetada nos esforços dos Estados Unidos e da ONU de solucionar a crise e às pressões internacionais para que levante o bloqueio à faixa palestina.

O bloqueio, que em seu formato inicial data de 2006, quando o Hamas capturou o soldado israelense Gilad Shalit, é um dos temas em que Netanyahu se mostrou mais inflexível.

"Não permitiremos o estabelecimento de um porto iraniano em Gaza. Não permitiremos o livre tráfico de material de guerra e contrabando ao Hamas", enfatizou.

A outra proposta com a qual Netanyahu trabalha é a criação de uma comissão como a que averiguou a Guerra do Líbano de 2006, e que a princípio não contaria com o apoio da comunidade internacional.

A ideia foi colocada pelo assessor jurídico do Governo, Yehuda Wainstein, apoiado pelo ministro de Exteriores, Avigdor Lieberman, e o de Defesa, Barak, que defendem que "nenhum estrangeiro deve interrogar soldados israelenses".

O debate coincide com a expulsão hoje dos 19 ativistas e tripulantes que estavam a bordo do navio "Rachel Corrie", interceptado ontem em águas internacionais e rebocado até o porto israelense de Ashdod.

Os primeiros sete, seis ativistas malaios e um tripulante cubano, saíram esta manhã pela passagem cisjordaniana de Allenby, na fronteira com a Jordânia, de onde serão repatriados, informou Sabine Haddad, porta-voz do Ministério do Interior.

Outros seis tripulantes filipinos devem deixar o país na próxima madrugada com direção a Manila, e os cinco ativistas irlandeses e o capitão britânico devem embarcar esta noite.

A norte-irlandesa Mairead Maguire, prêmio Nobel da Paz em 1976, é uma das ativistas detidas, assim como o irlandês Denis Halliday, ex-subsecretário-geral das Nações Unidas.

"Todos eles aceitaram finalmente a assinatura do documento (de repatriação voluntária). Inicialmente, os irlandeses se negavam a fazê-lo", explicou a porta-voz israelense.

O movimento Free Gaza, um dos organizadores da expedição, não manteve contato com nenhum deles desde que o navio foi abordado porque, segundo um de seus porta-vozes, Huwaida Arraf, eles estão "proibidos de falar inclusive com seus advogados".

 

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