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06/06/2010 - 08h52 / Atualizada 06/06/2010 - 09h01

Papa pede à comunidade internacional que evite banho de sangue no O.Médio

Juan Lara.

Nicósia, 6 jun (EFE).- Bento XVI se despediu hoje do Chipre com um chamado à comunidade internacional para que intervenha de "maneira urgente e ordeira" para resolver a situação no Oriente Médio, especialmente na Terra Santa, antes que os conflitos levem a "um maior derramamento de sangue".

O papa fez o pedido durante a missa que celebrou diante de 6 mil fiéis em Nicósia, durante a qual entregou aos prelados do Oriente Médio o "Instrumentum Laboris" (documento de preparação) do Sínodo de Bispos para essa região do mundo, que será realizado de 10 a 24 de outubro no Vaticano.

No documento, o Vaticano considera que "a ocupação israelense" dos territórios palestinos é "uma injustiça política imposta aos palestinos" e que as relações judeu-cristãs sofrem com esse conflito.

Além disso, critica o "egoísmo" das grandes potências, unido à persistência do conflito e ao desrespeito ao direito internacional e aos direitos humanos, que contribuiu para a desestabilização do equilíbrio no Oriente Médio e impôs à população uma violência que corre o risco de levá-la ao desespero e a única saída seja a emigração dos cristãos.

No texto, de 44 páginas, enumera que os desafios enfrentados pelos cristãos são os conflitos políticos, a liberdade de religião e de consciência, a evolução do islã e a emigração.

Sobre a emigração ressalta que é necessário reforçar a presença dos cristãos, que já é de uma exígua minoria, para que não acabem em um gueto.

Com relação aos conflitos, afirma que a ocupação israelense dos territórios palestinos "torna difícil" a vida para a liberdade de movimentos, a economia e a vida religiosa.

"A isso se une que alguns grupos fundamentalistas cristãos justificam a injustiça política imposta aos palestinos, o que torna ainda mais delicada a posição dos cristãos árabes".

No que diz respeito às relações dos cristãos com os judeus, assinala que sofrem com o conflito israelense-palestino e lembra que o papa já expressou durante sua viagem a Belém em 2009 o "direito do povo palestino a uma pátria soberana na terra de seus antepassados, segura, em paz com seus vizinhos e reconhecida internacionalmente".

Com os muçulmanos, o texto diz que a Igreja os olha "com estima", mas que muitas vezes as relações são difíceis, "principalmente pelo fato de eles não diferenciarem religião de política, o que coloca os cristãos na delicada situação de não cidadãos".

"A chave para o êxito da coexistência entre cristãos e muçulmanos depende do reconhecimento da liberdade religiosa e dos direitos do homem", assegura o texto.

O papa lamenta que, muitas vezes, a opinião pública muçulmana acusa à Igreja Católica de qualquer decisão tomada pelos políticos ocidentais, ao identificar erroneamente a Igreja com o Ocidente.

O documento aponta que o crescimento do islã está repercutindo na região e nos cristãos, e denuncia que este pretende impor um modo de vida islâmico à sociedade, sejam ou não muçulmanos, e que alguns grupos com esse objetivo não pensam duas vezes em recorrer à violência.

Além disso, diz que a "islamização está penetrando nas famílias através dos meios de comunicação e da escola, modificando as mentalidades".

O texto destaca que para os muçulmanos a modernidade é vista com uma "face atéia e imoral" e a percebem como uma invasão cultural ameaçadora, alterando os valores.

A Igreja também entende que a modernidade é um risco para os cristãos, já que a sociedade está ameaçada pelo ateísmo, o materialismo, o relativismo e a indiferença.

Outro ponto é o da liberdade de religião e consciência, no qual assinala que no Oriente a religião é uma escolha social, não individual e que mudar de credo é considerado "uma traição à sociedade, à cultura e à nação".

A conversão é vista como o fruto de um proselitismo interessado, não de uma convicção religiosa autêntica.

O documento ressalta ainda o ecumenismo e a este respeito assinala que a divisão dos cristãos é um escândalo, que é necessário que as igrejas existentes na região se conheçam melhor, cooperem entre si, não deem as costas e não promovam ações que ofendam ou alterem às outras confissões.

A entrega deste documento era o objetivo da viagem ao Chipre do papa Bento XVI, quem no fim da tarde voltará para Roma.

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