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07/06/2010 - 20h04 / Atualizada 07/06/2010 - 21h01

Volta de Honduras à OEA divide opiniões em assembleia

Lima, 7 jun (EFE).- A possível reincorporação de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA) dominou a agenda oficial da 40ª Assembleia Geral do organismo, que começou hoje em Lima, e evidenciou profundas diferenças de opiniões entre seus membros.

Representantes de vários países tomaram a palavra no plenário da Assembleia para posicionar-se a favor da readmissão de Honduras - como Estados Unidos, El Salvador ou Guatemala - ou contra, como o Equador.

Já a Nicarágua e outros países tentaram, sem sucesso, forçar uma mudança na agenda para que houvesse uma resolução a respeito.

Os chanceleres dos países da OEA estudarão uma série de propostas para propiciar o retorno de Honduras à OEA. Em almoço a portas fechadas, eles também vão impor as condições que considerarem pertinentes.

Fontes diplomáticas disseram à Agência Efe que o debate entre chanceleres será centrado na possibilidade de enviar uma missão a Tegucigalpa, ainda sem detalhes divulgados.

Segundo as fontes, que pediram anonimato, alguns países propuseram a ideia de enviar uma missão de chanceleres ao país.

Isso implicaria, segundo elas, em começar com uma missão da Secretaria-Geral da OEA, depois envolver os embaixadores e somente em última instância os chanceleres.

Também há nações que cogitam a possibilidade de enviar uma equipe de juristas a Honduras, afirmaram as fontes, supostamente para avaliar o cumprimento das garantias democráticas, o respeito dos direitos humanos e as condições para que o ex-presidente Manuel Zelaya possa retornar a seu país.

Na sessão plenária que abriu os trabalhos da 40ª Assembleia, foram manifestadas profundas divergências entre os 33 membros da OEA.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, foi a mais enfática: "É hora (...) de olhar para frente e dar as boas-vindas para a volta de Honduras", uma vez que o Governo sempre "demonstrou um compromisso forte e consistente com a ordem constitucional e a governabilidade democrática".

Por sua vez, o presidente hondurenho, Porfirio Lobo, pediu aos chanceleres que sejam "justos" para permitir a reincorporação de seu país ao organismo interamericano. "Que Deus ilumine sua mente e seu coração e que sejam justos com o povo hondurenho".

Além disso, Lobo se mostrou esperançoso: "Esperamos pelo retorno de Honduras. Deixamos ao melhor critério dos amigos países-membros da OEA".

Os delegados de El Salvador e da Guatemala se expressaram em linha similar à de Hillary. Eles concordam que a exclusão de Honduras dos organismos americanos é um perigo, porque encoraja posturas antidemocráticas.

No entanto, outros países, liderados pelo Equador, mostraram uma postura radicalmente contrária: seu chanceler, Ricardo Patiño, enfatizou que não reconhecerá o Governo de Lobo enquanto "violações de direitos humanos continuarem sendo cometidas", Zelaya continue "perseguido judicialmente" e não se apliquem as sanções correspondentes aos protagonistas do golpe de Estado que o tirou do poder ano passado.

Por sua parte, o ex-presidente Zelaya falou hoje do seu exílio em Santo Domingo para ressaltar que a OEA não deve esquecer que suas próprias resoluções foram violadas pelo atual Governo hondurenho, assim como os direitos humanos, e que continuam "os assassinatos em série de jornalistas, operários e professores".

Apesar de uma resolução específica sobre Honduras não fazer parte da agenda oficial da reunião, o chanceler peruano, José Antonio García Belaúnde, reconheceu que a questão será tratada e os chanceleres poderiam decidir acrescentar o tema.

Por enquanto, os chanceleres se limitam a debater o possível envio de uma missão da OEA ao país.

Não seria a primeira vez que a OEA enviaria uma missão de embaixadores, da Secretaria-Geral ou de chanceleres a Honduras.

Imediatamente depois do golpe de Estado de 28 de junho do ano passado, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, enviou várias missões ao país para fazer gestões diplomáticas com o objetivo de restaurar a democracia e a ordem constitucional e conseguir a restituição de Zelaya, assim como para impulsionar um acordo.

Honduras foi suspensa da OEA no dia 4 de julho de 2009, por causa do golpe de Estado.

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