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09/06/2010 - 01h30 / Atualizada 09/06/2010 - 02h20

Empresa tecnológica vai parar de indenizar familiares de suicidas na China

Pequim, 9 jun (EFE).- A multinacional taiuanesa Foxconn, fabricante de aparelhos como o iPad e o iPhone e envolvida em uma onda de suicídios de seus empregados em fábricas chinesas, anunciou que deixará de pagar compensações aos familiares de trabalhadores que se matarem, informou a agência oficial "Xinhua".

A decisão foi tomada depois que a direção afirmou que alguns dos empregados que se suicidaram neste ano - dez, além de outros três que tentaram o suicídio e fracassaram - o fizeram para que suas famílias recebessem uma indenização, um comentário que gerou muita polêmica e foi alvo de grandes protestos de organizações sindicais internacionais.

A Foxconn, no entanto, mantém sua teoria e assegura que tomou esta medida "para evitar que empregados se matem para obter uma grande soma de dinheiro para suas famílias", e assegura que tem provas indubitáveis de que este foi o motivo em alguns dos casos.

A maioria dos familiares de empregados que se suicidaram receberam uma indenização de 100 mil iuanes (cerca de US$ 14,6 mil).

Os suicidas eram quase todos jovens recém chegados à firma que provinham de zonas rurais e pobres da China, alguns deles com problemas emocionais como desilusões amorosas ou tristeza por ter deixado sua localidade natal.

Por outro lado, imprensa e ativistas trabalhistas asseguram que a razão dos suicídios, independente dos problemas pessoais dos empregados, tem origem na forte pressão à qual são submetidos os trabalhadores na empresa, os longos horários e as poucas possibilidades de descanso e lazer.

Por conta dos suicídios, a Foxconn também tomou outras medidas, como a de subir - em três ocasiões - o salário de seus empregados, algo que repercutirá no preço dos produtos da firma no mercado mundial e que fez com que as ações da companhia desabassem nas bolsas de Taiwan e Hong Kong.

Também contratou psiquiatras, disponibilizou linhas telefônicas de apoio para os empregados que sofram depressão e até realizou rituais religiosos na companhia.

A Foxconn, que produz aparelhos para boa parte das multinacionais tecnológicas do Ocidente - Apple, Dell, Hewlett-Packard, Nokia, Nintendo, Sony, entre outras - emprega 800 mil trabalhadores na China, dos quais 400 mil trabalham em Shenzhen, onde aconteceram as 13 tentativas de suicídio.

A empresa, líder mundial na fabricação de componentes tecnológicos, produz cerca de 4% dos produtos que a China exporta ao resto do mundo.

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