FHC recebe prêmio por "contribuição à paz social" na Espanha

O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso (PSDB) comentou hoje a gravidade da crise econômica na Espanha, na qual todos vão pagar para deixá-la para trás, e ressaltou que ele não gostaria de estar "neste momento" no lugar do presidente do Governo de José Luis Rodríguez Zapatero.

"Vejo (a situação) como os senhores, com preocupação", disse o ex-presidente, que presidiu o Brasil de 1995 a 2003, em entrevista coletiva em Madri.

Na Espanha, Fernando Henrique recebeu o Premio Gumersindo de Azcárate, Colégio de Registradores da Propriedade e Mercantis da Espanha, por sua trajetória "na promoção e defesa de segurança jurídica", e por sua "contribuição à paz social".

FHC assinalou que, apesar de a Espanha não ser a Grécia, o país com maiores problemas na União Europeia, a possibilidade de "contágio" é real.

O ex-presidente brasileiro lembrou as graves crises econômicas do início e do fim da década passada na América do Sul e no Leste da Ásia, com o efeito dominó.

Ele ressaltou a necessidade de realizar "mudanças profundas" para evitar o desastre econômico e citou como exemplo seu próprio país, com a reestruturação do sistema financeiro e o saneamento bancário, que agora permite enfrentar melhor a crise.

O ex-líder destacou que o Brasil iniciou um forte "controle dos orçamentos, para não permitir que a dívida atinja um limite que não seja controlável", além de "todo um esforço para (regular) a dívida externa".

Esta reforma não ocorreu da noite para o dia, "levou anos de reconstrução", detalhou o ex-governante.

No Brasil, o papel do Banco Central é mais importante e este acompanha estritamente as diretrizes financeiras internacionais.

Na Espanha, um grave problema para conseguir a reestruturação financeira é o das hipotecas, assinalou.

Fernando Henrique insistiu que a recuperação "vai levar tempo" e que será uma "questão política", será preciso decidir "quem vai pagar o preço mais alto".

É necessária a definição de "como será o corte do gasto público e em que proporção", o que vão fazer com os bancos e com o imposto da renda e, sobretudo, qual vai ser "o custo do ajuste".

"Tenho a impressão que todos vão pagar essa conta", comentou o ex-presidente.

Uma desvantagem da atual situação espanhola, é a situação do desemprego, explicou FHC.

"No Brasil, o nível de desemprego nunca foi tão elevado, jamais atingiu 20%", como ocorre agora na Espanha, afirmou.

"Se não regular o sistema global, isto vai se repetir e eu não vejo que as medidas necessárias tenham sido tomadas em nível global", assegurou.

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