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10/06/2010 - 20h21 / Atualizada 10/06/2010 - 20h25

Marina Silva propõe modelo "que produza mais e destrua menos"

Eduardo Davis.

Brasília, 10 jun (EFE).- A agora candidata oficial do Partido Verde (PV) ao Planalto, Marina Silva, propôs hoje para o país um modelo de desenvolvimento econômico que permita "produzir mais e destruir menos", e apoiou a "ética" como valor fundamental da política.

Marina, de 52 anos, teve hoje o lançamento de sua candidatura na convenção nacional do PV, que reuniu em Brasília cerca de dois mil dirigentes do partido, ao qual ela se filiou no ano passado após renunciar às três décadas de militância no PT.

Em discurso, Marina lembrou que fez parte do Governo Lula durante seis anos, como ministra do Meio Ambiente, e avaliou muitas das "conquistas sociais" que o Brasil consolidou nos últimos oito anos.

Ela disse que o país tem "uma democracia consolidada", assim como "estabilidade econômica e controle da inflação", e que pôde suportar "de pé" as últimas crises financeiras internacionais.

Marina também avaliou que "25 milhões de pessoas superaram a linha de pobreza" na gestão de Lula, mas pôs o dedo na ferida do Governo, que ainda não encontrou uma "porta de saída" para os beneficiados de seus programas sociais.

Na hora das críticas, também citou o analfabetismo, que na juventude brasileira chega a 18%, a "persistente desigualdade de oportunidades", o caos urbano nas principais cidades do país e, com especial ênfase, a "dilapidação do patrimônio natural", mediante projetos de desenvolvimento agressivos na Amazônia.

A candidata verde também defendeu o resgate à "ética" e lembrou as políticas de alianças estabelecidas por Lula com setores de centro e direita.

Segundo Marina, as coalizões em política não podem ser guiadas pelo "pragmatismo" e devem incluir "toda a sociedade", porque governar "não significa negociar votos".

Marina foi ouvida por um grande grupo de intelectuais organizado pelo ex-frade franciscano Leonardo Boff, que participou ativamente das campanhas de Lula nas cinco últimas eleições.

Boff afirmou que a candidatura de Marina nasce de um "imperativo ético", imposto pela falta de políticas de proteção ao meio ambiente que deixaram "a Terra crucificada".

O teólogo lembrou da origem pobre da candidata, nascida em um povoado amazônico, e a persistência que a levou a aprender a ler e escrever aos 16 anos.

Também participou do ato o deputado Fernando Gabeira, pré-candidato do PV ao governo do Rio, que deu algumas pistas sobre as ideias do partido em assuntos de política externa.

Gabeira citou países com os quais o Governo Lula mantém estreitas relações e pediu aos filiados que "pensem nos 'verdes' do Irã, não porque são ecológicos, mas porque são democratas perseguidos", e "tenham solidariedade com os presos políticos de Cuba", o que lhe valeu aplausos fervorosos.

Na convenção, o PV aprovou uma série de documentos que serão a base do programa de Governo que Marina oferecerá ao eleitorado, e também acordou um limite de R$ 90 milhões para as despesas da campanha eleitoral.

Segundo as pesquisas de opinião, Marina está em terceiro lugar na corrida pelo Planalto, com cerca de 10% das intenções de voto. O PV afirmou hoje que esse percentual passará para 13% nas próximas sondagens.

Os principais nomes são a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, e o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB). Segundo as últimas pesquisas, ambos estão empatados em 37%.

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