Voto do Brasil contra sanções ao Irã pode ser mal interpretado, afirma FHC

O voto brasileiro no Conselho de Segurança da ONU, contra o endurecimento das sanções ao Irã, pode ser mal interpretado como um alinhamento com Teerã, por isso que agora o Brasil deveria reafirmar seu total compromisso com a não-proliferação nuclear, disse hoje o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Acho que foi uma tentativa de evitar as sanções e falhou", disse FHC em entrevista coletiva em Madri, onde recebeu o prêmio Gumersindo de Azcárate, do Colégio de Registradores da Propriedade e Mercantis da Espanha, por promover "a segurança jurídica" e contribuir "à paz social" em seu país.

FHC, presidente do Brasil entre 1995 e 2003, se mostrou cauteloso e ressaltou que se trata de um tema "delicado".

Lembrou, no entanto, que o "Brasil tem tradição de manter uma política externa independente" e esta tradição "foi sempre de negociadora".

"Acredito que agora houve uma tentativa de negociação. Mas essa tentativa alcançou uma repercussão diferente da intenção que se tinha no início", analisou.

Dessa forma, deu "a impressão de que o Brasil está alinhado a Teerã. Não acredito que seja esse o objetivo", acrescentou.

Em alusão ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique disse que "em política externa é preciso ter cuidado, pois a aparência conta muito".

Afirmou que agora "será preciso" que o governo brasileiro demonstre "com atos concretos" que desejava mostrar que o Irã não vai fazer uma bomba atômica".

Brasil "é um país pacifista, que assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e tem que ser conseqüente com isso", acrescentou o ex-líder.

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