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11/06/2010 - 14h40 / Atualizada 11/06/2010 - 15h00

Com 37 mortos, conflito étnico testa novo Governo do Quirguistão

Moscou, 11 jun (EFE).- Com pelo menos 37 mortos e 500 feridos, os confrontos étnicos de quinta-feira e hoje no sul do Quirguistão voltaram a testar a capacidade das novas autoridades de controlar a situação no país.

O Ministério da Saúde informou que, segundo os últimos dados, 523 pessoas pediram assistência médica, das quais 333 tiveram que ser hospitalizadas. Dos feridos, 50 estão em estado grave.

O Governo provisório do Quirguistão reconheceu que os distúrbios na cidade de Osh, centro do sul do país, onde reside uma grande minoria uzbeque, são de caráter étnico.

"Devemos tomar consciência de que se trata de enfrentamentos entre duas etnias. Precisamos de forças para conter a multidão e pôr fim ao derramamento de sangue", declarou na capital do país, Bishkek, a presidente interina Roza Otunbayeva.

Os distúrbios começaram no centro de Osh após uma briga em massa entre jovens do Quirguistão e do Uzbequistão, que desencadeou atos de vandalismo, com o saque de comércios e queima de carros, segundo a agência oficial de notícias "Akipress".

O Ministério do Interior quirguiz assegurou que suas forças, em estado de alerta máximo, conseguiram assumir o controle da situação e retirar "os grupos de jovens agressivos" do centro da cidade.

"As forças de segurança tomaram o controle da cidade, embora em alguns setores ainda atuem grupos violentos", assegurou à Agência Efe, por telefone, Farid Niyazov, porta-voz do Governo provisório.

Ele explicou que os Ministérios do Interior e da Defesa transferiram a Osh tropas e carros blindados e declararam na cidade estado de exceção e toque de recolher, que rege das 18h às 6h.

As autoridades mobilizaram centenas de policiais e unidades militares para patrulhar as ruas de Osh, com autorização para abrir fogo se necessário para dissolver os grupos violentos que ameacem os civis.

No entanto, a imprensa local afirma que as forças de segurança só controlam o centro da cidade, enquanto nos subúrbios continuam os confrontos entre diversos grupos. De forma esporádica, se ouvem tiros.

Já os moradores da cidade, preocupados em defender durante a noite suas casas e comércios dos grupos violentos e saqueadores, bloqueiam as ruas com barricadas improvisadas, que, por sua vez, impedem a circulação de ambulâncias e bombeiros.

A situação no sul quirguiz foi tratada hoje mesmo na capital uzbeque, Tashkent, em uma cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), aliança regional que agrupa China, Rússia e quatro países centro-asiáticos (Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão).

"Esperamos que a Administração provisória do Quirguistão, que deve demonstrar sua legitimidade e capacidade de governar, consiga controlar a situação. A falta de autoridade e controle conduz à violência", declarou no fórum o presidente russo, Dmitri Medvedev.

"Só um poder eficaz e capaz de resolver os problemas políticos e econômicos do país pode ganhar a confiança do povo", disse Medvedev, que anunciou a decisão dos líderes da SCO de dar urgentemente ajuda humanitária ao Quirguistão, considerado o país mais pobre da região.

Ao mesmo tempo, Medvedev descartou que a comunidade pós-soviética recorra à Organização do Tratado de Segurança Coletiva, a aliança militar liderada pela Rússia, para restabelecer a ordem no Quirguistão, ao explicar que a mesma só pode ser utilizada perante invasões oriundas do exterior, e não em conflitos internos.

A Embaixada dos Estados Unidos em Bishkek expressou "preocupação" com as desordens no sul do Quirguistão e exigiu das partes envolvidas no conflito que renunciem à violência.

Já a nova presidente quirguiz denunciou que a violência é aproveitada por forças políticas que "buscam minar o plebiscito constitucional convocado para o próximo dia 27 de junho".

Segundo ela, em Bishkek são distribuídos panfletos contra o Governo provisório e com chamadas contra o plebiscito.

As novas autoridades realizam o plebiscito na tentativa de reduzir as funções do chefe de Estado e tornar o país uma república parlamentarista, e convocaram para 10 de outubro eleições legislativas, como tinha sido exigido pela comunidade internacional.

O Governo provisório assumiu o controle do Quirguistão após violentos choques entre as forças de segurança e manifestantes opositores na capital, em 7 de abril, que levaram à derrocada e fuga do país do então presidente, Kurmanbek Bakiyev, acusado de corrupção.

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