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12/06/2010 - 17h56 / Atualizada 12/06/2010 - 19h19

Obama frisa importância de relações com R.Unido, apesar de vazamento de óleo

Teresa Bouza.

Washington, 12 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reiterou hoje ao primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, seu "profundo compromisso" com a relação bilateral em meio às tensões políticas entre os dois países provocado pelo vazamento de petróleo no Golfo do México.

"O presidente ressaltou seu profundo compromisso com a extraordinária e histórica relação entre nossos dois países", informou a Casa Branca em comunicado após a conversa telefônica de mais de meia hora entre os líderes.

O primeiro-ministro do Reino Unido enfrenta uma crescente pressão em seu país para minimizar as fortes críticas de Washington contra a British Petroleum (BP).

Já o presidente americano disse que, se dependesse dele, demitiria o executivo-chefe da BP, Tony Hayward. Obama apoiou a ideia de suspender o dividendo trimestral da empresa e a criticou por gastar dinheiro em uma campanha de propagandas na televisão para melhorar sua danificada imagem.

O vazamento de óleo no Golfo do México começou no dia 22 de abril, quando uma plataforma petrolífera da BP afundou no mar, dois dias após explodir e causar a morte de 11 trabalhadores, deixando aberto um poço de petróleo no fundo do mar.

A multinacional, responsável pela plataforma petrolífera que afundou em abril no Golfo do México e desencadeou o pior desastre ecológico da história dos EUA, tem um enorme protagonismo na economia britânica.

Boa prova disso são os quase US$ 1,4 bilhão em impostos pagos no ano passado ao Governo britânico e o fato de que milhões de aposentados dependem de seus dividendos.

"Quando alguém considera a enorme importância dos fundos de pensões britânicos da BP, o fato de uma grande empresa britânica ser atacada constantemente na imprensa começa a ser um assunto de preocupação nacional", disse na quinta-feira em declarações à "BBC" o prefeito de Londres, Boris Johnson.

Cameron insistiu hoje durante sua conversa com Obama na "importância econômica da BP tanto para o Reino Unido, como para os EUA e outros países", segundo o comunicado divulgado pelo gabinete da residência oficial britânica.

A terceira maior petrolífera do mundo, após ExxonMobil e Royal Dutch Shell, tem 80 mil funcionários, receitas superiores a US$ 239 bilhões em 2009 e uma capitalização que ainda supera os US$ 100 bilhões, apesar do recente baque nos mercados.

Segundo o comunicado divulgado pelo Governo britânico, que contém mais detalhes sobre a BP que o divulgado pela Casa Branca, Obama "deixou claro que não tem nenhum interesse em prejudicar o valor da BP".

A companhia petrolífera perdeu cerca de 40% de seu valor de mercado após o vazamento.

Tanto Obama quanto Cameron concordaram no "trágico impacto" do vazamento e na necessidade de que a BP continue "trabalhando intensamente para garantir que sejam tomados todos os passos razoáveis da maneira mais rápida possível para enfrentar as consequências dessa catástrofe", destaca o comunicado.

A BP se transformou no "inimigo público número um" dos EUA por causa da tragédia, que revelou os erros no desenho do poço que a empresa explorava no Golfo do México e a ausência de um plano de emergência para enfrentar a catástrofe.

A Zeta Interactive, uma empresa de marketing digital, assegura que as três palavras mais usadas agora na internet em relação à BP são "desastre", "vergonha" e "culpa".

Trata-se de atributos bem merecidos, segundo Edward Glab, um professor da Universidade Internacional da Flórida que trabalhou durante 26 anos para a ExxonMobil e é especialista em respostas de emergência diante de vazamentos.

"A BP tomou uma série de decisões muito estúpidas sobre como perfurar o poço e como tampá-lo", disse Glab à Agência Efe. Segundo ele, a companhia pecou, além pela negligência, "ao não se preparar para o pior cenário possível".

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