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12/06/2010 - 17h31 / Atualizada 12/06/2010 - 17h49

Serra assume candidatura com críticas à diplomacia e ao escândalo do mensalão

Brasília, 12 jun (EFE).- José Serra assumiu hoje a candidatura à Presidência pelo PSDB com um duro discurso contra a política externa atual e os escândalos de corrupção na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Na convenção nacional do PSDB em Salvador, convocada para oficializar sua candidatura às eleições de 3 de outubro, o tucano marcou divergências com o atual Governo, mas em nenhum momento citou Lula ou a pré-candidata petista Dilma Rousseff.

Diante de 5 mil dirigentes e militantes do PSDB congregados na sede do Centro Espanhol, tradicional clube da capital baiana, Serra prometeu "honestidade" na gestão pública, um "compromisso permanente" com a democracia e um Governo "com os melhores", não com "os companheiros de partido".

Serra ironizou frases de Lula, que costuma dizer que "nunca antes na história" o Brasil avançou tanto no setor social e no econômico. O candidato do PSDB afirmou que os brasileiros devem lembrar que o país "não foi fundado em 2003", quando o atual líder chegou ao poder.

Serra comparou Lula com o rei Luis XIV da França. "Luís XIV achava que o Estado era ele. Nas democracias e no Brasil, não há lugar para 'luíses' assim".

O candidato opositor pôs o dedo na ferida dos escândalos de corrupção registrados desde que Lula chegou ao poder e se referiu em particular ao do mensalão, ocorrido em meados de 2005, quando se denunciou que dezenas de parlamentares eram subornados para votar em favor do Governo no Congresso.

"O Congresso deve ser uma arena de debate, não de compra de votos nem de distribuição de mensalões", afirmou Serra. Segundo ele, "é necessário dizer que são os homens que corrompem o poder, e não o poder que corrompe os homens".

Para Serra, "a honestidade não é um programa de Governo", mas "uma obrigação de quem está na vida pública".

Com relação à política externa de Lula, o tucano criticou as estreitas relações do Governo atual com países como Irã e Cuba.

Serra disse que acredita "nos direitos humanos, não só dentro do Brasil, mas no mundo todo". Segundo ele, "não devemos elogiar continuamente ditadores em todos os cantos do planeta, somente porque são aliados eventuais".

Serra destacou que repudia "a repressão violenta das ideias, a tortura e a prisão por razões ideológicas para quem pensa diferente" e considerou que, nas relações internacionais, os "valores" devem estar acima das ideologias.

Apesar de reconhecer méritos na gestão econômica e social de Lula, o candidato do PSDB sustentou seu slogan "o Brasil pode mais". Ele declarou que está disposto a prová-lo com maior investimento em saúde, educação e infraestrutura, áreas nas quais, segundo ele, o atual Governo tem uma disciplina pendente.

Serra, economista de 68 anos, foi governador do estado de São Paulo, prefeito da capital paulista, deputado, senador e ministro do Planejamento e da Saúde durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Também foi candidato à Presidência nas eleições de 2002, mas perdeu para Lula no segundo turno.

Segundo as pesquisas de opinião, Serra conta com 37% das intenções de voto para as eleições de outubro, empatado com a pré-candidata petista Dilma Rousseff.

Enquanto Serra e Marina Silva, do PV, já confirmaram suas candidaturas, a de Dilma deve ser ratificada amanhã em convenção nacional do PT, na qual se espera a presença de Lula.

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