UOL Notícias Notícias
 
12/06/2010 - 15h07 / Atualizada 16/08/2010 - 23h55

Tensão marca aniversário de polêmica reeleição de Ahmadinejad

Javier Martín.

Teerã, 12 jun (EFE).- Com o movimento opositor intimidado e debilitado, o Irã lembrou hoje o primeiro aniversário da polêmica reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, envolvido em um ambiente de tensão e incerteza.

Teerã e outras grandes cidades do país amanheceram neste sábado tomadas por tropas de choque da Polícia e sobretudo pelas milícias radicais de voluntários islâmicos Basij, peças fundamentais na repressão dos sangrentos protestos do ano passado.

Em pequenas motocicletas de fabricação chinesa, os agentes de segurança patrulhavam desde o final da noite desta sexta-feira diversas partes do centro e do norte da capital.

Fontes da oposição informaram que vários confrontos isolados ocorreram no início da noite perto da Universidade de Teerã, informação que não foi nem confirmada nem desmentida pela imprensa local.

Além disso, nas horas anteriores, houve detenções de opositores, tanto na capital como em outras cidades como Tabriz, ao noroeste de Teerã.

Na quinta-feira, governador da província de Teerã, Morteza Tamadon, já havia advertido que a oposição não contava com autorização para realizar manifestações.

A Polícia, por sua vez, tinha alertado dias antes que agiria com dureza para evitar qualquer concentração que não tivesse sido autorizada.

Diante das ordens, os principais líderes do movimento de oposição reformista, Mir Hussein Moussavi e Mehdi Karroubi, cancelaram na própria quinta-feira a convocação, decisão que parece ter minado sua capacidade de liderança.

Farah M., jovem técnico de informática que pede para não ser identificado por razões de segurança, foi um das centenas de milhares de iranianos que no ano passado saiu às ruas da capital para protestar contra as eleições, consideradas pela oposição uma fraude em massa.

Na violenta repressão daqueles protestos, morreram cerca de 70 pessoas - segundo números da oposição, 30 de acordo com fontes oficiais - e outras milhares foram detidas, entre elas alguns dos companheiros de Farah.

Desde então, cerca de uma centena foram condenadas a diversas penas de prisão, inclusive à forca, acusadas de participar de uma suposta conspiração articulada no exterior para derrubar o regime iraniano.

Um ano depois, Farah explica à Agência Efe que, embora seus ideais permaneçam, ele não tem coragem para se arriscar "enquanto os supostos líderes ficam em casa".

"Parece que eles esquecem que há companheiros na prisão, que merecem que a luta siga adiante", critica.

Um sentimento de frustração que permeia a população enquanto, paradoxalmente, o descontentamento com o atual Governo e o regime parece ter enraizado e inclusive parece ter ampliado.

"O movimento verde é mais um estado de ânimo, um espírito que calou, que um movimento articulado em si mesmo", explica à Agência Efe um professor universitário que também prefere não ser identificado.

"Está aí, é forte, mas precisa de líderes que o impulsionem, que o dinamizem e estruturem contra o grande poder do regime, que em poucos meses conseguiu anular a mobilização", acrescenta.

Nas últimas semanas, tanto a Guarda Revolucionária como a Polícia iraniana advertiram à população que não estavam dispostos a permitir que se repetissem os acontecimentos do ano passado.

Artigos e avisos na imprensa e até mensagens de texto enviadas aos telefones celulares alertavam sobre a proibição de protestos nas ruas.

"Acho que, a partir de agora, será mais difícil para Karroubi e Moussavi convencer o povo que podem liderar a mudança. Isso não quer dizer que o sentimento não permaneça e possa ressurgir", acrescenta o professor universitário.

Tanto o ex-primeiro-ministro quanto o ex-presidente do Parlamento buscaram nas últimas horas enviar uma nova mensagem a seus seguidores.

Em comunicado divulgado na internet, Moussavi afirmou que a falta de mobilizações nas ruas não significa que o movimento opositor tenha desaparecido. Ele pediu a seus seguidores que prossigam com a luta por outros meios.

O ex-candidato recomendou que se busque outros métodos para evitar o risco de confronto direto, como a mobilização pela internet e pelas redes sociais, pois enquanto o movimento continuar vivo, os atuais dirigentes se sentirão incomodados.

Karroubi, por sua vez, lembrou o processo eleitoral do dia 12 de junho de 2009 e se perguntou se o Irã é ainda uma república. "Precisamos de algo mais", ressalta Farah.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host