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15/06/2010 - 10h54 / Atualizada 15/06/2010 - 12h48

Amorim defende desarmamento nuclear e acordo com Irã em discurso em conferência da ONU

Em Genebra
  • Para o ministro Celso Amorim, diálogo e a diplomacia podem ajudar a superar obstáculos

    Para o ministro Celso Amorim, "diálogo e a diplomacia" podem ajudar a superar obstáculos

Acordo nuclear apoiado por Brasil e Turquia continua de pé, afirma Ahmadinejad

Na declaração de Teerã, assinada em 17 de maio com o Brasil e a Turquia, a República Islâmica aceitou trocar, em território turco, 1.200 kg de urânio levemente enriquecido (a 3,5%) por 120 kg de combustível enriquecido a 20%, para alimentar seu reator de pesquisa médica de Teerã.

O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim lamentou hoje a "infeliz identificação" dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas com os cinco Estados nucleares reconhecidos pelo Tratado de Não-Proliferação (TNP) e defendeu uma mudança dessa realidade "anacrônica".

Em um discurso na Conferência sobre Desarmamento da ONU, em Genebra, Amorim também reiterou sua defesa do acordo assinado entre Brasil, Turquia e Irã em busca de uma solução para a polêmica envolvendo o programa nuclear iraniano e lamentou que não foi dada nem sequer "uma oportunidade" ao acordo.

"O poder mundial está se reconstruindo. (...) No terreno econômico e financeiro foi possível algum progresso. Mas no político, não foram preenchidas as brechas na legitimidade e na eficácia. E isto é especialmente certo no que diz respeito à paz e à segurança internacional", disse Amorim.

"A infeliz identificação dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU com os cinco Estados nucleares reconhecidos pelo TNP faz com que as decisões nesse âmbito sejam uma espécie de terreno reservado", acrescentou.

Por isso, Amorim disse que a Conferência sobre Desarmamento deve ajudar a mudar essa "realidade anacrônica".

"A melhor garantia de não-proliferação é a eliminação total das armas nucleares. E a forma mais efetiva de reduzir os riscos de uma má utilização dos materiais nucleares por atores não estatais é a eliminação irreversível de todos os arsenais nucleares", acrescentou.

Amorim se referiu, além disso, ao acordo de troca nuclear assinado entre Brasil, Irã e Turquia, e disse que "o diálogo e a diplomacia" podem ajudar a superar obstáculos.

O ministro disse que Turquia e Brasil - ambos membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU - "estavam guiados pelo objetivo de encontrar uma fórmula que garantisse o direito do Irã a um uso pacífico da energia nuclear, dando garantias de que o programa nuclear iraniano tem fins unicamente pacíficos".

No entanto, Amorim disse não entender "por que não foi dada (ao acordo) pelo menos uma oportunidade de dar seus frutos", depois que o Conselho de Segurança aprovou novas sanções contra Teerã.

"Se as partes decidirem em algum momento voltar à mesa de negociações, enfrentarão um desafio ainda maior", acrescentou.

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