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15/06/2010 - 14h44 / Atualizada 15/06/2010 - 15h05

Israel se prepara para chegada de comboios humanitário do Irã

Ana Cárdenes
Em Jerusalém

Com o episódio do ataque à embarcação humanitária ainda latente na memória coletiva, Israel prepara-se para a chegada de múltiplos comboios a partir de diferentes países, todos com o objetivo de romper o bloqueio a Gaza.

Apesar de estar atento ao olhar da comunidade internacional, que condenou maciçamente a morte de nove civis turcos durante o ataque e pede o fim do bloqueio à faixa palestina, as autoridades israelenses se mantêm firmes e advertiram que não vão permitir a passagem de nenhum navio.

"O Governo não mudou sua política", disse hoje à Agência Efe o porta-voz de Exteriores, Andy David, que acrescentou que "todas as agências e ministérios estão em alerta e acompanham de perto os eventos" para frear a chegada de novas embarcações.

Irã, inimigo declarado de Israel, anunciou o envio de duas embarcações carregadas com ajuda humanitária recolhida pelo Crescente Vermelho, sendo que a primeira delas partiu ontem e será seguida por outra neste fim de semana.

A partir do Líbano sairá em breve outra embarcação, fretada pelo "Movimento Gaza Livre" e a organização "Repórteres sem Fronteiras", que poderia zarpar na próxima semana.

O jornal israelense "Yedioth Ahronoth" assegura hoje que o movimento islamita xiita libanês Hisbolá também está organizando uma embarcação com o apoio da Síria.

Embora não tenha sido confirmado pela organização, seu líder, Hassan Nashrallah, pediu recentemente pela televisão aos libaneses que "organizem um segundo comboio" para romper o bloqueio.

A proposta mais ambiciosa é a do movimento "Viva Palestina" (com sedes no Reino Unido, Turquia, EUA, Malásia e Líbano) e o comitê internacional para romper o bloqueio a Gaza, que anunciaram a saída conjunta de um comboio terrestre e um marítimo em 12 de setembro.

O carregamento por terra partirá de Londres e atravessará a Europa, Turquia e Síria cooptando no caminho carros, caminhões e voluntários com o objetivo de chegar aos 500 veículos, que tratarão de entrar a Gaza por Rafah, na fronteira com o Egito.

O comboio marítimo pretende alcançar as 70 embarcações, que se unirão ao comboio inicial durante suas paradas em vários portos do Mediterrâneo.

A essas iniciativas se unem, a partir da Alemanha, a da organização "Judische Stimme" (Voz Judia), que anunciou a saída de navio com passageiros judeus com ajuda escolar para as crianças palestinas.

Fontes do Hamas disseram que esperam receber ao menos dez comboios antes de outubro, procedentes de pontos tão distantes do planeta como Sudão, Noruega e Malásia.

Israel pediu aos países da UE que impeçam a saída a partir de seus portos navios que pretendam romper o cerco à faixa palestina, imposto há quatro anos com a colaboração do Egito a fim de asfixiar ao movimento islamita Hamas.

Para o porta-voz de Exteriores, "o fato de que haja comboios enviados pelo Hisbolá e o Irã demonstra que se trata de provocação terrorista, de um esforço coordenado pelas organizações jihadistas" e não de iniciativas humanitárias.

David assinalou que "alguns dos que partirão de Beirute disseram que estão preparados para serem mártires e Nasrallah apoiou os navios.

O porta-voz israelense lamentou que a existência de "pacifistas genuínos" que estão sendo enganados pelas "organizações radicais" que impulsionam aos comboios.

O vice-comandante da Marinha, vice-almirante Rani Ben-Yehuda, declarou ao jornal israelense "Jerusalem Post" que as forças de segurança partirão da premissa de que os navios iranianos levam provocadores a bordo e recomendou aos ativistas humanitários que avaliem bem antes de se incorporarem às tripulações.

Segundo Bem-Yehuda, os nove turcos que os comandos israelenses mataram no navio eram "terroristas", da mesma forma que dezenas de pessoas que viajavam no barco.

Por enquanto, Israel não conseguiu demonstrar que o comboio humanitário atacado tinha laços com organizações terroristas e a comunidade internacional observa atenta e permanece à espera de esclarecimento sobre a violenta abordagem ocorrida em águas internacionais.

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