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16/06/2010 - 20h27 / Atualizada 16/06/2010 - 20h39

Obama consegue arrancar US$ 20 bi da BP por causa de vazamento

Teresa Bouza.

Washington, 16 jun (EFE).- A British Petroleum (BP) aceitou fornecer US$ 20 bilhões para um fundo de indenização por causa do vazamento de petróleo no Golfo do México, pediu desculpas pelo desastre e anunciou a suspensão de dividendos para arcar com as despesas relativas ao acidente.

A lista de concessões foi definida após uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Além desses compromissos, haverá a formação de outro fundo dotado de US$ 100 milhões para indenizar os que ficaram sem trabalho após a explosão da plataforma da BP em 20 de abril, fato que ocasionou o derramamento de petróleo.

Em um encontro de mais de quatro horas hoje na Casa Branca, a cúpula executiva da BP conversou com Obama, o vice-presidente americano, Joe Biden; o procurador-geral dos EUA, Eric Holder; o comandante da Guarda Costeira, Thad Allen; e o assessor econômico Larry Summers, entre outros.

Obama considerou a reunião como "construtiva". Ao final da reunião, em declarações no Jardim da Casa Branca, declarou que continuará exigindo da empresa "responsabilidade" pela catástrofe.

"A BP continua sendo responsável pelo desastre ambiental que causou e nos asseguraremos de que está combatendo-o", afirmou o presidente, segundo o qual o fundo de compensação "não estará controlado nem pela BP, nem pelo Governo".

O gerente será o advogado Ken Feinberg, que se encarregou também de cuidar do fundo criado para indenizar as famílias de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001.

A conta do derramamento criou incerteza sobre o futuro da BP, mas Obama afirmou hoje que, apesar das despesas pela catástrofe, a companhia é "robusta e viável" e é "do interesse de todos" que continue sendo assim.

Terceira maior petrolífera do mundo, atrás da Exxonmobil e Royal Dutch Shell, a BP tem 80 mil funcionários, receitas de US$ 239 bilhões em 2009 e um valor de mercado que ainda supera US$ 100 bilhões apesar do recente baque nos mercados.

O presidente da BP, Carl-Henric Svanberg, anunciou também na Casa Branca que "o conselho de administração da companhia decidiu que não pagará mais dividendos este ano".

A expectativa é de que a decisão permita à companhia economizar uma quantia próxima a US$ 7,5 bilhões.

Além dos detalhes financeiros, Svanberg pediu hoje "perdão" aos americanos pelo derramamento no Golfo do México e disse que o "trágico acidente não deveria ter acontecido".

O presidente da BP assegurou que a empresa se importa com "pessoas comuns" que foram afetadas pelo derramamento e prometeu ajudá-las.

"Deixamos claro desde o primeiro momento desta tragédia que faremos frente a todas as responsabilidades legítimas", ressaltou.

O acordo foi bem recebido pelos legisladores americanos. O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, disse que é "um bom primeiro passo para compensar as vítimas".

Eric Cantor, líder republicano na Câmara dos Representantes, também recebeu bem o anúncio, mas criticou a Obama por sua gestão da catástrofe.

"É louvável que o presidente tenha trabalhado com a BP para estabelecer esse fundo", disse Cantor, que lamentou, no entanto, que Obama ainda não tenha alcançado uma solução definitiva ao problema.

Ontem, Obama fez um discurso a partir do Salão Oval transmitido ao vivo em horário nobre. A recepção de sua fala pelos veículos de comunicação americanos foi fria.

Um editorial de hoje do jornal "The New York Times" diz que o discurso careceu de "dados específicos" e "autocrítica", enquanto a revista "Newsweek" o considerou "plano".

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